UNESP/HCFMB - Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) — Prova 2022
Mulher de 79 anos apresenta tosse seca e dispneia súbita. AP: adenocarcinoma de mama em vigência de quimioterapia. Exame físico: FC 118 bpm, SatO₂ 89% em ar ambiente. Iniciada anticoagulação com enoxaparina. Angiotomografia de tórax: negativa para trombos. A melhor conduta é:
AngioTC tórax negativa para TEP com alta suspeita clínica → investigar TVP de membros inferiores e manter anticoagulação.
Em pacientes com alta probabilidade clínica de TEP, mesmo com angiotomografia de tórax negativa, a investigação de trombose venosa profunda (TVP) nos membros inferiores é crucial, pois a TVP pode ser a fonte do êmbolo e a angioTC pode ter um falso negativo ou não detectar êmbolos menores. A anticoagulação deve ser mantida até a exclusão completa da doença tromboembólica.
O tromboembolismo pulmonar (TEP) é uma condição grave e potencialmente fatal, sendo uma das principais causas de mortalidade em pacientes hospitalizados. A suspeita clínica é crucial, especialmente em pacientes com fatores de risco como câncer e quimioterapia, que aumentam significativamente o risco de eventos tromboembólicos. A apresentação clássica inclui dispneia súbita, dor torácica pleurítica e taquicardia, acompanhada de hipoxemia. O diagnóstico de TEP geralmente envolve a angiotomografia de tórax, que é o exame padrão-ouro. No entanto, em pacientes com alta probabilidade clínica e angiotomografia negativa, a investigação não deve ser encerrada. É importante considerar a possibilidade de falsos negativos ou de êmbolos pequenos não detectados. Nesses casos, a fonte do êmbolo, geralmente uma trombose venosa profunda (TVP) nos membros inferiores, deve ser ativamente pesquisada. A conduta correta, como no caso apresentado, é manter a anticoagulação e prosseguir com a investigação, realizando um ultrassom Doppler de membros inferiores. A identificação de uma TVP confirma a etiologia e justifica a manutenção do tratamento anticoagulante, que é essencial para prevenir novos eventos e reduzir a mortalidade. A decisão de suspender a anticoagulação deve ser feita com cautela e apenas após a exclusão completa da doença tromboembólica.
Pacientes com câncer têm risco aumentado de TEP devido ao estado de hipercoagulabilidade induzido pela doença e pelo tratamento quimioterápico, além de imobilização e cirurgias.
A angiotomografia pode ser negativa em casos de TEP se os trombos forem muito pequenos, periféricos, ou se houver artefatos de imagem. Nesses casos, a fonte do êmbolo (TVP) pode ainda estar presente.
O ultrassom Doppler de membros inferiores é fundamental para identificar a trombose venosa profunda (TVP), que é a principal fonte dos êmbolos pulmonares. Sua positividade confirma a necessidade de tratamento e pode guiar a duração da anticoagulação.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo