TEP Pós-Operatório: Diagnóstico e Fatores de Risco em Idosos

UFMT/HUJM - Hospital Universitário Júlio Müller - Cuiabá (MT) — Prova 2022

Enunciado

Uma paciente de 72 anos de idade estava internada na enfermaria de clínica cirúrgica do Hospital Universitário Júlio Muller, em 3º dia de pós-operatório de tratamento cirúrgico de neoplasia maligna do endométrio. Pela manhã, ao se levantar, apresentou quadro súbito de dor torácica, sudorese profusa e desconforto respiratório, evoluindo rapidamente para insuficiência respiratória, parada cardiorrespiratória e óbito. A filha informa que a mãe não tinha se queixado antes de se levantar do leito, e as evoluções médicas do dia anterior mostravam que a paciente se encontrava em boa evolução pós-operatória. Sobre o caso, assinale a afirmativa correta.

Alternativas

  1. A) Tromboembolismo pulmonar é uma causa provável.
  2. B) A hipótese de infarto agudo do miocárdio está descartada.
  3. C) Atelectasia pulmonar é a causa mais provável.
  4. D) A administração de heparina de baixo peso molecular no pós-operatório não reduziria o risco de óbito nessa paciente.

Pérola Clínica

Dor torácica súbita + dispneia + PCR em PO de cirurgia oncológica = TEP até prova em contrário.

Resumo-Chave

O tromboembolismo pulmonar (TEP) é uma complicação grave e potencialmente fatal, especialmente em pacientes idosos submetidos a cirurgias oncológicas. A apresentação súbita de dor torácica, dispneia e colapso hemodinâmico no pós-operatório é altamente sugestiva de TEP, devido à tríade de Virchow (estase, lesão endotelial, hipercoagulabilidade).

Contexto Educacional

O tromboembolismo pulmonar (TEP) é uma das principais causas de mortalidade e morbidade em pacientes hospitalizados, especialmente no período pós-operatório. A incidência de TEP é significativamente maior em pacientes submetidos a cirurgias de grande porte, cirurgias oncológicas e em idosos, devido à combinação de fatores que compõem a tríade de Virchow: estase venosa, lesão endotelial e estado de hipercoagulabilidade. No caso de uma paciente idosa, em 3º dia de pós-operatório de cirurgia para neoplasia maligna do endométrio, a apresentação súbita de dor torácica, sudorese profusa, desconforto respiratório e rápida evolução para insuficiência respiratória, parada cardiorrespiratória e óbito é altamente sugestiva de TEP maciço. A neoplasia maligna por si só já confere um estado protrombótico, e a cirurgia adiciona o risco de imobilização e lesão vascular. A profilaxia para TEP com heparina de baixo peso molecular é fundamental nesses pacientes, mas mesmo com profilaxia, o risco não é completamente eliminado. O diagnóstico diferencial inclui infarto agudo do miocárdio, dissecção aórtica e pneumotórax, mas a apresentação clínica e o contexto pós-operatório tornam o TEP a hipótese mais provável e letal.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais fatores de risco para tromboembolismo pulmonar em pacientes pós-operatórios?

Os fatores de risco incluem idade avançada, cirurgia de grande porte (especialmente oncológica e pélvica), imobilização prolongada, história prévia de TEV, obesidade, uso de estrogênios e condições de hipercoagulabilidade.

Por que a cirurgia de neoplasia maligna do endométrio aumenta o risco de TEP?

Cirurgias oncológicas, como a de neoplasia do endométrio, são associadas a um estado de hipercoagulabilidade (devido ao câncer em si e à inflamação cirúrgica), estase venosa (pela imobilização) e lesão endotelial, componentes da tríade de Virchow, que favorecem a formação de trombos.

Quais são os sinais e sintomas clássicos de um TEP maciço?

Um TEP maciço pode apresentar-se com dispneia súbita, dor torácica pleurítica, taquicardia, taquipneia, hipotensão, síncope e, em casos graves, choque cardiogênico e parada cardiorrespiratória.

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