HOA - Hospital Oftalmológico do Acre - Rio Branco — Prova 2020
Mulher de 56 anos de idade, no 4º dia de pós-operatório de neoplasia maligna de colo uterino, durante esforço par tossir apresentou dor súbita em hemitórax direito, dispneia, chiado e escarro hemoptoico. Qual a hipótese diagnostica mais provável?
Pós-operatório oncológico + dor torácica súbita + dispneia + hemoptise → TEP até prova em contrário.
Em pacientes no pós-operatório de cirurgia oncológica, a ocorrência súbita de dor torácica, dispneia e escarro hemoptoico é altamente sugestiva de tromboembolismo pulmonar (TEP). A cirurgia, especialmente a oncológica, é um importante fator de risco para eventos tromboembólicos, e o TEP deve ser a principal hipótese diagnóstica nesse cenário.
O tromboembolismo pulmonar (TEP) é uma complicação grave e potencialmente fatal, especialmente em pacientes cirúrgicos e oncológicos. A neoplasia maligna de colo uterino e o período pós-operatório são fatores de risco significativos para o desenvolvimento de trombose venosa profunda (TVP) e TEP, devido ao estado de hipercoagulabilidade induzido pelo câncer e pela cirurgia, além da imobilização. A fisiopatologia do TEP envolve a formação de um trombo, geralmente nas veias profundas dos membros inferiores, que se desprende e migra para a circulação pulmonar, causando obstrução e comprometimento da troca gasosa. O quadro clínico pode variar de assintomático a choque cardiogênico. A dor súbita em hemitórax, dispneia e escarro hemoptoico são sintomas clássicos que indicam alta probabilidade de TEP. O diagnóstico é baseado na suspeita clínica, avaliação da probabilidade pré-teste, dosagem de D-dímero e exames de imagem como a angiotomografia de tórax. O tratamento inclui anticoagulação, que pode ser iniciada empiricamente em casos de alta suspeição, e medidas de suporte. A profilaxia do TEP em pacientes cirúrgicos de alto risco é fundamental e envolve o uso de heparina de baixo peso molecular e compressão pneumática intermitente.
Os principais fatores de risco incluem cirurgia (especialmente abdominal e pélvica), imobilização prolongada, idade avançada, obesidade, história prévia de trombose, uso de estrogênios e, notavelmente, neoplasias malignas, que aumentam o estado de hipercoagulabilidade.
Os sintomas clássicos incluem dispneia súbita, dor torácica pleurítica (pior com a respiração), tosse, taquipneia, taquicardia e, em casos mais graves, síncope, hipotensão e cianose. Escarro hemoptoico pode ocorrer devido a infarto pulmonar.
A conduta inicial envolve estabilização hemodinâmica, oxigenoterapia, e avaliação rápida da probabilidade clínica (escores como Wells ou Genebra). Se a suspeita for alta, deve-se iniciar anticoagulação empírica e solicitar exames confirmatórios como angiotomografia de tórax ou cintilografia pulmonar.
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