Tratamento do TEP: Quando Anticoagular ou Trombolisar?

PSU-MG - Processo Seletivo Unificado de Minas Gerais — Prova 2025

Enunciado

Mulher de 52 anos encontrava-se internada para a realização de colecistectomia videolaparacoscópica. No 2º dia do pós-operatório, apresentou dispneia de início súbito e présíncope. Ao exame físico, PA 70/50 mmHg, FC 134 bpm, FR 32 ipm e SpO2 86% (ar ambiente). A pele estava pálida e sudorética, e o tempo de enchimento capilar periférico era maior que 3 segundos. Após a ressuscitação volêmica com 1.000mL de solução cristaloide e administração de oxigênio pelo cateter nasal a 3 L/min, os dados vitais eram PA 104/64mmHg, FC 118 bpm, FR 20 ipm e SpO2 94% (ar ambiente). A angioTC do tórax revelou falhas de enchimento nas artérias dos lobos inferiores de ambos os pulmões. A dosagem de troponina sérica resultou em 0,34 ng/mL. O ecocardiograma revelou dilatação e hipocontratilidade do ventrículo direito.\n\nAssinale a alternativa que apresenta o tratamento imediato MAIS ADEQUADO:

Alternativas

  1. A) Alteplase IV.
  2. B) Enoxaparina SC.
  3. C) Filtro de veia cava inferior.
  4. D) Trombectomia mecânica.

Pérola Clínica

TEP com estabilidade hemodinâmica (mesmo com disfunção de VD) → Anticoagulação é a conduta inicial.

Resumo-Chave

A paciente apresenta TEP de risco intermediário-alto (estável hemodinamicamente após volume, mas com disfunção de VD e troponina positiva). Nestes casos, a anticoagulação plena é o tratamento de escolha, não a trombólise.

Contexto Educacional

O manejo do Tromboembolismo Pulmonar (TEP) pós-operatório exige uma estratificação de risco precisa. A presença de disfunção do ventrículo direito (VD) e lesão miocárdica (troponina) indica um prognóstico pior, mas a conduta agressiva com trombolíticos só é justificada se houver falência circulatória.\n\nNeste caso, a paciente respondeu à reposição volêmica, mantendo PA > 90 mmHg. Portanto, a conduta correta é iniciar a anticoagulação plena (preferencialmente com HBPM como a enoxaparina) e manter vigilância rigorosa para sinais de deterioração clínica, onde a terapia de resgate poderia ser considerada.

Perguntas Frequentes

Quando está indicada a trombólise no TEP?

A trombólise sistêmica (ex: Alteplase) está indicada apenas nos casos de TEP de Alto Risco, definido pela presença de instabilidade hemodinâmica (PAS < 90 mmHg ou queda de PAS > 40 mmHg por mais de 15 minutos, não causada por arritmia, hipovolemia ou sepse). Se o paciente estabiliza com volume, ele deixa de ser classificado como alto risco imediato.

O que define o TEP de risco intermediário-alto?

O risco intermediário-alto é definido por um paciente hemodinamicamente estável, mas que apresenta simultaneamente: 1) Marcadores de disfunção de VD no ecocardiograma ou AngioTC e 2) Elevação de biomarcadores cardíacos (Troponina ou BNP). Estes pacientes devem ser monitorados de perto, mas o tratamento inicial é a anticoagulação.

Por que a Enoxaparina é preferida em relação à Heparina Não Fracionada?

A Enoxaparina (Heparina de Baixo Peso Molecular) é preferida na maioria dos pacientes com TEP estável devido à sua farmacocinética previsível, maior biodisponibilidade e menor risco de trombocitopenia induzida pela heparina (HIT). A Heparina Não Fracionada é reservada para pacientes com instabilidade grave, insuficiência renal severa (ClCr < 30) ou risco iminente de necessidade de reversão.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo