Dispneia Súbita em Paciente Oncológica: Suspeita de TEP

HAS - Hospital Adventista Silvestre (RJ) — Prova 2021

Enunciado

Mulher de 55 anos com dispneia súbita após tratamento com quimioterapia para câncer de ovário; está no seu 3º ciclo de tratamento. Chega a emergência e sua gasometria mostra hipoxemia e hipercapnia, com bicarbonato normal, Sat O2 91%. Função renal normal; D dímero maior que 1000; sem comorbidades; ao exame físico: PA 120 x 60; FC 105 bpm; FR 28 irpm; Qual a principal hipótese diagnostica?

Alternativas

  1. A) Tromboembolismo pulmonar.
  2. B) Infarto agudo do miocárdio.
  3. C) Pneumonia.
  4. D) Infecção urinária.
  5. E) Todas as respostas acima.

Pérola Clínica

Dispneia súbita + Câncer + Quimioterapia + D-dímero > 1000 → Alta suspeita de Tromboembolismo Pulmonar (TEP).

Resumo-Chave

Pacientes oncológicos, especialmente em quimioterapia, possuem alto risco para tromboembolismo pulmonar (TEP) devido ao estado de hipercoagulabilidade. Dispneia súbita, taquicardia e D-dímero elevado são sinais de alerta para TEP, exigindo investigação imediata.

Contexto Educacional

O tromboembolismo pulmonar (TEP) é uma condição grave e potencialmente fatal, sendo uma das principais causas de morbimortalidade em pacientes hospitalizados, especialmente aqueles com câncer. Pacientes oncológicos, como a mulher de 55 anos com câncer de ovário em quimioterapia, apresentam um risco significativamente aumentado de eventos tromboembólicos devido ao estado de hipercoagulabilidade induzido pela própria doença e pelos tratamentos antineoplásicos. A dispneia súbita é um sintoma cardinal do TEP e deve sempre levantar alta suspeita nesse grupo de pacientes. A fisiopatologia do TEP envolve a oclusão de uma ou mais artérias pulmonares por um trombo, geralmente originado de uma trombose venosa profunda (TVP). Isso leva a um desequilíbrio ventilação-perfusão, resultando em hipoxemia. A taquicardia e a taquipneia são respostas compensatórias. A hipercapnia, embora menos comum em TEP, pode indicar um TEP maciço ou falha ventilatória em pacientes com reserva pulmonar comprometida. O D-dímero é um produto da degradação da fibrina e, quando elevado, sugere a presença de trombose, sendo um marcador útil para triagem, embora não seja específico. O diagnóstico de TEP em pacientes oncológicos exige um alto índice de suspeição. Após a avaliação clínica e a dosagem do D-dímero, a angiotomografia de tórax é o exame padrão-ouro para confirmação. O tratamento envolve anticoagulação imediata, e em casos de instabilidade hemodinâmica, pode ser necessária trombólise ou embolectomia. Para residentes, é crucial reconhecer os fatores de risco e a apresentação clínica do TEP nesse cenário, a fim de instituir o tratamento precoce e melhorar o prognóstico.

Perguntas Frequentes

Quais fatores de risco aumentam a chance de TEP em pacientes com câncer?

Pacientes com câncer, especialmente aqueles em quimioterapia, possuem um estado de hipercoagulabilidade, além de imobilização e cirurgias, que aumentam significativamente o risco de TEP.

Qual a importância do D-dímero no diagnóstico de TEP?

Um D-dímero muito elevado, como >1000 ng/mL, em um paciente com alta probabilidade clínica, aumenta a suspeita de TEP e justifica a realização de exames de imagem confirmatórios, como angiotomografia de tórax.

Por que a paciente apresenta hipoxemia e hipercapnia?

A hipoxemia é causada pela perfusão inadequada de áreas ventiladas do pulmão (aumento do espaço morto), enquanto a hipercapnia pode ocorrer em TEP maciço ou em pacientes com reserva pulmonar limitada, indicando falha ventilatória.

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