HASP - Hospital Adventista de São Paulo — Prova 2023
Homem, 55 anos, com diagnóstico recente de neoplasia pulmonar, ainda em estadiamento, é levado ao pronto-socorro por conta de episódio de dor torácica, dispneia e síncope há 2 horas. O episódio de desmaio ocorreu sem pródromo e sem abalos motores, mas foi acompanhado de palidez, sudorese e durou menos de 1 minuto. Nega tosse, coriza ou febre. O paciente não apresentou vacinação para influenza e tomou somente 2 doses para COVID-19. Na chegada ao pronto-socorro apresentava-se em regular estado geral, SatO₂ 87% em ar ambiente, frequência cardíaca 140 bpm, pressão arterial membro superior direito 100/60 mmHg e em membro superior esquerdo 90/60 mmHg, glicemia capilar 130mg/dL, temperatura 36,8º C. Exame cardíaco e pulmonar sem outras alterações. Levando-se em consideração a principal hipótese diagnóstica, assinale a alternativa que contenha a hipótese diagnóstica mais provável e o exame complementar mais indicado para o diagnóstico:
Neoplasia + dor torácica, dispneia, síncope, taquicardia, hipoxemia → TEP, investigar com angiotomografia.
Paciente com neoplasia pulmonar (fator de risco para trombose), apresentando dor torácica súbita, dispneia, síncope, taquicardia e hipoxemia, sugere fortemente Tromboembolismo Pulmonar (TEP). A instabilidade hemodinâmica (hipotensão relativa, taquicardia) e a dessaturação reforçam a gravidade. A angiotomografia de artérias pulmonares é o exame padrão-ouro para confirmar o diagnóstico de TEP.
O Tromboembolismo Pulmonar (TEP) é uma condição grave e potencialmente fatal, sendo uma das principais causas de morte em pacientes hospitalizados. Em pacientes oncológicos, como o descrito no caso, o risco de TEP é significativamente elevado devido ao estado de hipercoagulabilidade induzido pelo câncer, imobilização, cirurgias e tratamentos quimioterápicos. A neoplasia pulmonar, em particular, aumenta ainda mais esse risco. A apresentação clínica clássica de TEP inclui dispneia súbita, dor torácica pleurítica e taquicardia. A síncope, como observada no paciente, é um sinal de TEP maciço ou submacisso, indicando disfunção do ventrículo direito e instabilidade hemodinâmica, o que confere um pior prognóstico. A hipoxemia (SatO₂ 87%) e a taquicardia (140 bpm) são achados consistentes com TEP. A diferença de pressão arterial entre os membros superiores (100/60 mmHg vs 90/60 mmHg) pode ser um achado inespecífico ou sugerir outras condições, mas no contexto geral, TEP é a principal suspeita. Diante da alta suspeita clínica e da instabilidade hemodinâmica (hipotensão relativa e taquicardia), a investigação diagnóstica deve ser rápida. A angiotomografia de artérias pulmonares (angio-TC) é o exame de escolha para confirmar o TEP, pois permite a visualização direta dos trombos. Em pacientes instáveis, a prioridade é a estabilização hemodinâmica, mas o diagnóstico rápido é crucial para iniciar a terapia anticoagulante ou trombolítica, se indicada. Outras hipóteses, como dissecção de aorta, COVID-19 ou pneumonia, são menos prováveis dado o quadro agudo e os fatores de risco específicos para TEP.
Pacientes oncológicos têm um risco aumentado de TEP devido ao estado de hipercoagulabilidade associado à malignidade, imobilidade, cirurgias, quimioterapia e presença de cateteres venosos centrais.
Dor torácica pleurítica súbita, dispneia de início agudo, taquicardia, hipoxemia e síncope são sinais de alerta importantes para TEP, especialmente na presença de fatores de risco.
A angiotomografia de artérias pulmonares (angio-TC) é o padrão-ouro para o diagnóstico de TEP, pois permite visualizar diretamente os trombos nas artérias pulmonares e avaliar o impacto no ventrículo direito.
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