TEP de Risco Intermediário-Alto: Estratificação e Conduta

HOS/BOS - Hospital Oftalmológico de Sorocaba - Banco de Olhos (SP) — Prova 2026

Enunciado

Paciente do sexo masculino de 56 anos, no terceiro dia do pós-artroplastia total de quadril esquerdo, tem como antecedentes nefropatia diabética, diabetes mellitus e hipertensão arterial e faz uso das medicações insulina NPH/regular, losartana 50 mg/dia, atorvastatina 40 mg/dia, enoxaparina 40 mg SC/dia (profilaxia). Durante a internação, apresenta queixa de dispneia súbita e dor torácica pleurítica há 8 horas. Ao exame físico, apresenta PA: 128x72 mmHg, FC: 108 bpm, FR: 22 irpm, SpO₂ 95% AA, turgência jugular ausente, ausculta pulmonar limpa, MMII com edema 2+/4 E, sinal de Homans positivo E. Exames complementares: Eletrocardiograma de repouso com taquicardia sinusal. Troponina 0,09 ng/mL (VN < 0,03), BNP 480 pg/mL. Ecocardiograma à beiraleito: VD dilatado, hipocinesia de parede livre. Angiotomografia de artérias pulmonares com presença de trombos septais inferiores. Diante do quadro atual, a conduta é:

Alternativas

  1. A) Anticoagulação plena com heparina de baixo peso molecular, monitorização clínica com transferência para unidade de terapia intensiva.
  2. B) Trombólise sistêmica com alteplase 100 mg IV imediatamente.
  3. C) Trombólise dirigida por cateter de rotina.
  4. D) Filtro de veia cava inferior isolado.
  5. E) Ambulatorial com início de anticoagulante oral direto (DOAC) e reavaliação em 96 horas.

Pérola Clínica

TEP + Estabilidade + Disfunção de VD/Troponina ↑ = Risco Intermediário-Alto → Anticoagulação + UTI.

Resumo-Chave

Pacientes com TEP e estabilidade hemodinâmica, mas com sinais de sobrecarga de VD e biomarcadores positivos, são classificados como risco intermediário-alto e requerem vigilância em UTI.

Contexto Educacional

O manejo do tromboembolismo pulmonar (TEP) baseia-se na estratificação de risco de mortalidade precoce. O paciente do caso apresenta estabilidade pressórica, mas com sinais inequívocos de repercussão cardíaca direita: VD dilatado e hipocinético ao ecocardiograma, além de elevação de BNP e Troponina. Essa combinação o classifica na categoria de risco intermediário-alto (PESI classe III-V ou sPESI ≥ 1, associado a disfunção de VD e biomarcadores positivos). A conduta padrão para este grupo é a anticoagulação plena imediata, preferencialmente com HBPM ou fondaparinux, e a internação em ambiente de terapia intensiva ou semi-intensiva. A trombólise não é indicada de rotina para este grupo devido ao risco de sangramento maior (especialmente intracraniano), conforme demonstrado no estudo PEITHO. A intervenção agressiva fica reservada para o cenário de 'resgate' caso o paciente apresente sinais de falência circulatória.

Perguntas Frequentes

Quando indicar trombólise no TEP?

A trombólise sistêmica está indicada de forma absoluta no TEP de alto risco, definido pela presença de instabilidade hemodinâmica (PAS < 90 mmHg, necessidade de vasopressores ou queda da PAS > 40 mmHg por mais de 15 minutos). No risco intermediário-alto, a trombólise é considerada apenas como terapia de resgate se houver deterioração clínica evidente sob anticoagulação.

Por que monitorar o risco intermediário-alto em UTI?

Esses pacientes possuem evidência de sofrimento miocárdico do ventrículo direito (VD) e biomarcadores positivos, o que indica uma reserva cardiopulmonar limitada. Eles apresentam um risco significativamente maior de evoluir para choque obstrutivo nas primeiras 48-72 horas, exigindo monitorização contínua para intervenção imediata (trombólise ou embolectomia) se necessário.

Qual a preferência entre HBPM e Heparina Não Fracionada?

A Heparina de Baixo Peso Molecular (HBPM) é preferível na maioria dos pacientes estáveis devido à sua farmacocinética previsível. No entanto, a Heparina Não Fracionada (HNF) é preferida em pacientes com instabilidade iminente, insuficiência renal grave (ClCr < 30 ml/min) ou quando se antecipa a necessidade de procedimentos invasivos imediatos, devido à sua meia-vida curta e reversibilidade total.

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