TEP Maciço e Choque Obstrutivo: Fisiopatologia e Sinais

MedEvo Ciclo Básico — Prova 2025

Enunciado

Uma paciente de 28 anos, usuária de anticoncepcionais orais combinados e tabagista, é admitida na emergência com quadro de dispneia súbita e dor torácica pleurítica há 2 horas. Ao exame físico, apresenta-se taquipneica (FR 28 irpm), taquicárdica (FC 124 bpm) e hipotensa (PA 85/50 mmHg). Nota-se turgência jugular patológica a 45°, mas a ausculta pulmonar revela murmúrio vesicular universalmente audível, sem ruídos adventícios. O eletrocardiograma demonstra sinal de S1Q3T3 e desvio do eixo para a direita. Considerando a fisiopatologia hemodinâmica deste quadro agudo, qual é o mecanismo primário responsável pelo estado de choque da paciente?

Alternativas

  1. A) Redução da contratilidade miocárdica por hipóxia tecidual generalizada.
  2. B) Diminuição crítica da pré-carga do ventrículo esquerdo por obstrução ao fluxo.
  3. C) Aumento da capacitância venosa sistêmica mediada por reflexos autonômicos.
  4. D) Falência biventricular congestiva por sobrecarga hidrostática retrógrada.

Pérola Clínica

Hipotensão + Turgência Jugular + Pulmão Limpo = Pense em TEP maciço, Tamponamento Cardíaco ou Infarto de VD. O pulmão está limpo porque o problema é 'antes' de o sangue chegar ao lado esquerdo do coração.

Contexto Educacional

O tromboembolismo pulmonar (TEP) é uma emergência cardiovascular comum, frequentemente associada a fatores de risco como tabagismo e uso de estrogênios. Quando o trombo obstrui mais de 50% da vasculatura pulmonar, ocorre o TEP maciço, caracterizado por instabilidade hemodinâmica e choque obstrutivo. A ausculta pulmonar limpa na presença de choque e turgência jugular é um sinal clínico valioso para diferenciar de causas cardiogênicas ou sépticas. A fisiopatologia envolve um aumento súbito da resistência vascular pulmonar, o que sobrecarrega o ventrículo direito (VD). O VD dilata, desviando o septo interventricular para a esquerda (fenômeno de interdependência ventricular), o que, somado à redução do retorno venoso pulmonar, colapsa a pré-carga do ventrículo esquerdo (VE), resultando em queda do débito cardíaco. O diagnóstico é clínico-radiológico, mas o ECG pode sugerir sobrecarga de VD. O tratamento do TEP com instabilidade (maciço) exige suporte hemodinâmico e, fundamentalmente, a desobstrução da artéria pulmonar, geralmente através de trombólise sistêmica ou embolectomia, visando restaurar o fluxo sanguíneo e a função ventricular.

Perguntas Frequentes

Por que o ECG mostra desvio para a direita?

Porque o ventrículo direito sofre uma sobrecarga de pressão súbita tentando bombear contra o trombo, o que altera a condução elétrica.

Qual a relação com o anticoncepcional?

O estrogênio aumenta a síntese de fatores de coagulação, compondo um dos pilares da Tríade de Virchow (hipercoagulabilidade).

O que é o sinal de S1Q3T3?

É um achado clássico (embora não tão comum) de sobrecarga aguda de VD no ECG: onda S profunda em D1, onda Q e T invertida em D3.

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