Manejo do TEP Incidental em Pacientes com Câncer

UNESP/HCFMB - Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) — Prova 2025

Enunciado

Mulher de 46 anos tem diagnóstico de neoplasia maligna de mama e realizou exame de angiotomografia de tórax que detectou incidentalmente uma falha de enchimento do contraste na ramificação subsegmentar em lobo inferior direito. Paciente assintomática, sem outras comorbidades e com exame de US de membros inferiores negativo para trombose profunda. É correto afirmar que:

Alternativas

  1. A) Por ser portadora de neoplasia maligna de mama a recomendação é a colocação do filtro de veia cava inferior e o acompanhamento clínico.
  2. B) Devido ao alto risco de sangramento nesta população, a recomendação é uso de ácido acetil salicílico e colocação de filtro de cava inferior.
  3. C) Por estar assintomática e sem trombose adicional nas pernas, a recomendação é acompanhamento clínico sem anticoagulação.
  4. D) A anticoagulação é recomendada de forma similar aos pacientes com embolia pulmonar sintomática.

Pérola Clínica

TEP incidental em paciente com câncer ativo = Tratar como TEP sintomático.

Resumo-Chave

Pacientes oncológicos com TEP incidental, mesmo subsegmentar, apresentam alto risco de recorrência e devem receber anticoagulação plena, conforme diretrizes da ASCO e ESMO.

Contexto Educacional

O tromboembolismo venoso (TEV) é uma das principais causas de morbimortalidade em pacientes oncológicos. Com o aumento da disponibilidade e resolução das angiotomografias, o diagnóstico de TEP incidental tornou-se frequente. A fisiopatologia envolve a liberação de fatores pró-coagulantes pelo tumor e a interação com o endotélio. As diretrizes internacionais (ASCO, ASH, ESMO) unificaram a conduta: a presença de trombo em artérias pulmonares (segmentares ou mais proximais) ou subsegmentares múltiplas exige anticoagulação. O uso de filtro de veia cava não substitui a anticoagulação e não deve ser usado de rotina apenas pelo diagnóstico de neoplasia.

Perguntas Frequentes

Como tratar TEP incidental em pacientes com câncer?

O tratamento deve ser idêntico ao do TEP sintomático. A recomendação atual é o uso de anticoagulantes (preferencialmente DOACs ou Heparina de Baixo Peso Molecular) por pelo menos 3 a 6 meses, ou enquanto o câncer estiver ativo e em tratamento.

Quando indicar filtro de veia cava inferior no TEP?

O filtro de veia cava inferior está reservado para pacientes com contraindicação absoluta à anticoagulação (ex: sangramento ativo grave) ou em casos de falha terapêutica documentada (novo evento embólico mesmo com anticoagulação supraterapêutica).

Qual o risco de não tratar um TEP subsegmentar no câncer?

Pacientes com câncer possuem um estado de hipercoagulabilidade persistente. Estudos mostram que o risco de recorrência de eventos tromboembólicos fatais ou graves é similar entre TEP incidental e sintomático nesta população se não houver tratamento.

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