TEP na Gestação: Diagnóstico e Tratamento Adequado

Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2019

Enunciado

Uma paciente de 28 anos de idade, gestante, no primeiro semestre de gestação, evoluiu com dispneia súbita e dor torácica do tipo pleurítica, sendo então encaminhada ao pronto-socorro. Exames laboratoriais apresentaram dímero D e troponina positivos, sem demais alterações. Eletrocardiograma normal. O ecocardiograma mostrou pressão sistólica da artéria pulmonar de 48 mmHg, movimento atípico do septo ventricular e função biventricular preservada. Com base nesse caso hipotético, assinale a alternativa que apresenta a conduta mais adequada para o diagnóstico e para o tratamento da paciente.

Alternativas

  1. A) Angiotomografia de artérias pulmonares e heparina de baixo peso molecular.
  2. B) ultrassom Doppler de membros inferiores e varfarina
  3. C) Cintilografia pulmonar, ventilação, perfusão e varfarina.
  4. D) Ultrassom Doppler de membros inferiores e heparina de baixo peso molecular.
  5. E) Angiotomografia de artérias pulmonares e heparina não fracionada.

Pérola Clínica

Gestante com suspeita de TEP e instabilidade hemodinâmica/disfunção VD → US Doppler MMII + anticoagulação imediata com HBPM.

Resumo-Chave

A paciente apresenta alta probabilidade de TEP (dispneia súbita, dor pleurítica, dímero D+, troponina+, sinais de sobrecarga de VD no eco). Em gestantes, o US Doppler de membros inferiores é uma ferramenta diagnóstica inicial útil, e a anticoagulação com HBPM é a conduta terapêutica de escolha.

Contexto Educacional

O tromboembolismo pulmonar (TEP) é uma das principais causas de mortalidade materna em países desenvolvidos. A gestação é um estado de hipercoagulabilidade, aumentando o risco de eventos tromboembólicos. O diagnóstico de TEP em gestantes é desafiador devido à sobreposição de sintomas com alterações fisiológicas da gravidez, como dispneia e edema de membros inferiores. No caso apresentado, a paciente tem dispneia súbita, dor torácica pleurítica, dímero D e troponina positivos (indicando sobrecarga cardíaca), e sinais de disfunção de ventrículo direito no ecocardiograma (PSAP elevada, movimento atípico do septo), o que sugere fortemente TEP. Em gestantes, a investigação deve priorizar métodos com menor exposição à radiação. O ultrassom Doppler de membros inferiores para pesquisa de trombose venosa profunda (TVP) é um exame não invasivo e seguro, que, se positivo, pode confirmar a fonte do êmbolo e justificar o início do tratamento. O tratamento do TEP na gestação é a anticoagulação. A heparina de baixo peso molecular (HBPM) é a droga de escolha, pois não atravessa a barreira placentária, sendo segura para o feto, e possui menor risco de osteoporose e trombocitopenia induzida por heparina (TIH) em comparação com a heparina não fracionada. A varfarina é contraindicada no primeiro trimestre devido ao risco de embriopatia. A angiotomografia de artérias pulmonares e a cintilografia pulmonar são exames confirmatórios, mas devem ser usados após considerar o US Doppler e a necessidade de exposição à radiação. A conduta mais adequada é iniciar a investigação com US Doppler de MMII e tratar imediatamente com HBPM.

Perguntas Frequentes

Quais os sinais de TEP em gestantes?

Os sinais de TEP em gestantes incluem dispneia súbita, dor torácica pleurítica, taquicardia, tosse e, em casos graves, síncope ou choque.

Qual a conduta inicial para TEP em gestantes?

A conduta inicial para TEP em gestantes com alta suspeita inclui estabilização hemodinâmica, oxigenoterapia e início imediato de anticoagulação com heparina de baixo peso molecular (HBPM).

Como diagnosticar TEP na gravidez com segurança?

O diagnóstico de TEP na gravidez pode ser desafiador. Exames como ultrassom Doppler de membros inferiores para trombose venosa profunda (TVP) e, se negativo, cintilografia pulmonar de ventilação/perfusão ou angiotomografia de artérias pulmonares são opções, sempre avaliando o risco-benefício da radiação.

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