Tromboembolismo Pulmonar: Diagnóstico e Anticoagulação

UFMT Revalida - Universidade Federal de Mato Grosso — Prova 2019

Enunciado

D.E.M., sexo feminino, 33 anos, previamente hígida, deu entrada na emergência do hospital com queixa de dispneia súbita iniciada há 30 minutos, palpitações e dor torácica em pontada em base de hemitórax esquerdo. Apresentou tosse seca e escarros hemoptoicos antes da chegada ao hospital. Referiu início do quadro após discussão com o marido por problemas financeiros e familiares. O esposo quer ter filhos e ela não quer deixar de tomar seus anticoncepcionais, pois quer terminar a faculdade de contabilidade esse ano. Está para vir ao médico desde semana passada quando notou que sua perna direita estava ficando mais inchada e vermelha que a esquerda, mas devido à correria entre o trabalho e faculdade, procuraria a UBS quando "tivesse uma folguinha". Foi levada ao box da sala vermelha, monitorizada e instalado acesso venoso periférico. Exame físico: ansiosa, fácies de dor que piora à inspiração profunda, posição antálgica comprimindo o hemitórax esquerdo, lúcida e orientada no tempo e espaço, taquidispneica (FR = 35 irpm), uso de musculatura acessória, oximetria digital com saturação 89%, FC = 125 bpm com ritmo sinusal ao monitor cardíaco instalado. Ausculta pulmonar com murmúrio vesicular uniformemente audível, sem ruídos adventícios. Aparelho cardíaco com bulhas normofonéticas, em dois tempos, ritmo cardíaco regular, sem extrassístoles ou sopros, abdome: plano, peristáltico, flácido, indolor à palpação superficial e profunda, sem massas, visceromegalias palpáveis ou circulação colateral presente. Membros inferiores: presença de assimetria dos membros, edemaciado à direita 2+/4+ na perna, presença de calor, endurecimento e dor na panturrilha direita, pulso pedioso difícil de palpar devido edema em dorso de pé. Membro inferior esquerdo sem alterações. Diante do caso clínico, assinale a alternativa CORRETA.

Alternativas

  1. A) O sinal semiológico de Homans positivo determina o diagnóstico de trombose venosa profunda em membro inferior direito e autoriza iniciar antiagregação plena.
  2. B) O diagnóstico de alveolite pulmonar pós-estresse emocional deve ser considerado frente à história clínica e a angiotomografia helicoidal de tórax confirmará o diagnóstico.
  3. C) Deve-se solicitar Doppler de membros inferiores para confirmação diagnóstica de trombose venosa profunda e, somente após o exame, iniciar heparina não fracionada ou de baixo peso molecular.
  4. D) Os sinais e sintomas clínicos levantam a hipótese principal de tromboembolismo pulmonar e não se deve retardar o início da anticoagulação plena.

Pérola Clínica

Dispneia súbita + dor pleurítica + taquicardia + hipoxemia + TVP = TEP, iniciar anticoagulação plena.

Resumo-Chave

A paciente apresenta um quadro clássico de Tromboembolismo Pulmonar (TEP) com fatores de risco (uso de anticoncepcionais, TVP prévia/atual) e sintomas agudos (dispneia súbita, dor torácica pleurítica, taquicardia, hipoxemia, hemoptise) associados a sinais de Trombose Venosa Profunda (TVP). A alta suspeita clínica justifica o início imediato da anticoagulação.

Contexto Educacional

O Tromboembolismo Pulmonar (TEP) é uma condição grave e potencialmente fatal, resultante da oclusão de uma ou mais artérias pulmonares por um trombo, geralmente originado de uma Trombose Venosa Profunda (TVP) nos membros inferiores. É uma das principais causas de morte hospitalar e uma emergência médica que exige reconhecimento e tratamento rápidos. A fisiopatologia envolve a tríade de Virchow (estase sanguínea, lesão endotelial e hipercoagulabilidade). No caso apresentado, o uso de anticoncepcionais orais é um fator de risco conhecido para hipercoagulabilidade. A dispneia súbita, dor torácica pleurítica, taquicardia, hipoxemia e hemoptise, juntamente com sinais de TVP, são altamente sugestivos de TEP. Diante de alta suspeita clínica, o tratamento com anticoagulação plena não deve ser retardado enquanto se aguardam exames confirmatórios como a angiotomografia de tórax. A heparina (não fracionada ou de baixo peso molecular) é a escolha inicial, seguida por anticoagulantes orais. O manejo adequado é vital para reduzir a morbimortalidade.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais fatores de risco para Tromboembolismo Pulmonar?

Os fatores de risco incluem uso de anticoncepcionais orais, imobilização prolongada, cirurgias recentes, câncer, trombofilias, gravidez e puerpério, obesidade e idade avançada.

Quais sintomas devem levantar a suspeita de Tromboembolismo Pulmonar?

Os sintomas clássicos são dispneia súbita, dor torácica pleurítica, taquicardia, tosse, hemoptise e, em casos graves, síncope ou choque. Sinais de TVP em membros inferiores também são um forte indicativo.

Por que a anticoagulação plena deve ser iniciada rapidamente em caso de TEP?

A anticoagulação plena imediata é crucial para prevenir a progressão do trombo, reduzir o risco de novos eventos embólicos e diminuir a mortalidade. O atraso pode levar a complicações graves e óbito.

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