TEP: Diagnóstico Clínico, Fatores de Risco e Sinais

UFMT Revalida - Universidade Federal de Mato Grosso — Prova 2019

Enunciado

Mulher, 55 anos, branca, obesa, foi admitida no Pronto Socorro com quadro de dispneia aos mínimos esforços, iniciada há 5 horas, dor torácica ventilatório-dependente à esquerda. No atendimento inicial, apresentava agitação psicomotora, taquipnêica, baixa saturação de O₂. HPP: Terapia de reposição hormonal há 6 meses. Ao exame físico, apresentava FC: 145 bpm, com ritmo regular, FR: 36 ipm, PA: 90/65 mmHg, Sat O₂: 88%, Tax: 36,7 °C. A ausculta cardíaca mostrava ritmo regular, 2T, com hiperfonese de B2 em foco pulmonar, sem sopros. No exame pulmonar, expansibilidade diminuída em bases, macicez em base esquerda e MV diminuídos difusamente. Abdome sem alterações, edema MI direito (+3/4+) com dor a dorso-flexão. Qual assertiva corresponde ao caso clínico em questão?

Alternativas

  1. A) Suspeita de Tromboembolismo Pulmonar, por obstrução aguda da circulação arterial pulmonar, com redução ou cessação do fluxo sanguíneo pulmonar, trombose venosa profunda é o evento básico e o Sinal de Homans que consiste na dorsiflexão do pé sobre a perna e o doente referir dor na massa muscular na panturrilha é o sinal semiológico esperado.
  2. B) Bronquiectasia significa dilatação irreversível dos brônquios em consequência da destruição de componentes alveolares, normalmente acometendo segmentos ou lobos pulmonares difusamente. Ao exame físico, pode-se observar submacicez ou macicez que é o sinal semiológico explicado pela maior presença de ar nos alvéolos.
  3. C) A dispneia/ortopneia pode ocorrer associada a sopro holossistólico de alta frequência e mais intenso no foco pulmonar, com irradiação para a região axilar sendo intensificado com a manobra de "handgrip" que define ↑ RVP; é encontrada na Insuficiência Mitral Crônica da doença reumática.
  4. D) Estenose aórtica produz dor torácica acompanhada frequentemente por dispneia, presença de hipertrofia ventricular esquerda e redução da expansibilidade por dor. ECG e cintilografia pulmonar de ventilação e perfusão são os métodos não invasivos, classicamente utilizados para este diagnóstico.

Pérola Clínica

Mulher obesa, TRH, dispneia súbita, dor torácica, taquicardia, hipotensão, edema MI → TEP/TVP. Sinal de Homans = dor panturrilha à dorsiflexão.

Resumo-Chave

O quadro clínico de dispneia súbita, dor torácica pleurítica, taquicardia, hipotensão e hipoxemia em uma paciente obesa, em uso de terapia de reposição hormonal (fator de risco para trombose) e com edema assimétrico de membro inferior, é altamente sugestivo de Tromboembolismo Pulmonar (TEP) secundário a Trombose Venosa Profunda (TVP). O Sinal de Homans, embora inespecífico, é um achado semiológico clássico associado à TVP.

Contexto Educacional

O Tromboembolismo Pulmonar (TEP) é uma emergência médica com alta morbimortalidade, frequentemente originado de uma Trombose Venosa Profunda (TVP). A apresentação clínica é variada, mas dispneia súbita, dor torácica pleurítica e taquicardia são sintomas comuns. Fatores de risco como obesidade, uso de terapia de reposição hormonal e imobilização são cruciais para a suspeita. O diagnóstico é baseado na probabilidade clínica (escores como Wells ou Geneva), D-dímero e exames de imagem (angiotomografia de tórax). O tratamento visa prevenir a progressão do trombo e reduzir a mortalidade, geralmente com anticoagulação.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais fatores de risco para TEP em mulheres?

Em mulheres, fatores como obesidade, terapia de reposição hormonal, tabagismo, gravidez, puerpério e trombofilias aumentam o risco de TEP.

O que é o Sinal de Homans e qual sua relevância na TVP?

O Sinal de Homans é a dor na panturrilha à dorsiflexão do pé. Embora clássico, é inespecífico e de baixa sensibilidade para o diagnóstico de Trombose Venosa Profunda.

Como a hiperfonese de B2 em foco pulmonar se relaciona com o TEP?

A hiperfonese de B2 em foco pulmonar (P2 > A2) indica hipertensão pulmonar, que pode ser aguda no TEP devido à obstrução da circulação pulmonar e sobrecarga do ventrículo direito.

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