COVID-19 e TEP: Manejo da Hipoxemia Refratária

UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2022

Enunciado

Mulher, 45a, queixa-se de dispneia há três dias, associada a tosse seca. Há uma semana com ageusia. Antecedentes: tabagista (20 anos/maço). Hipertensão arterial em uso de hidroclorotiazida. Exame físico: PA= 112x74 mmHg, FC= 134 bpm, FR= 29 irpm, T= 36,1°C, oximetria de pulso (ar ambiente)= 89%; consciente, alerta, fala normal. Pulmões: murmúrio vesicular presente simétrico; membros: extremidades frias, sem edema. Iniciado catete nasal de O2 a 3L/min, sem melhora da hipoxemia; aumentado para 6L/min em cateter, mantida a mesma hipoxemia, mas sem aumento do desconforto respiratório. Ultrassonografia à beira do leito evidencia algumas linhas B em bases. Tomografia de tórax sem contraste (evidenciado o corte que apresenta as principais alterações do exame) e eletrocardiograma: ALÉM DE INICIAR DEXAMETASONA, A CONDUTA IMEDIATA É:

Alternativas

  1. A) Iniciar ventilação não invasiva.
  2. B) Iniciar ceftriaxone e azitromicina.
  3. C) Manter tratamento e internar em UTI-COVID.
  4. D) Solicitar angiotomografia de tórax.

Pérola Clínica

Hipoxemia refratária em paciente com COVID-19, especialmente com taquicardia, → forte suspeita de TEP, indicar angiotomografia.

Resumo-Chave

Em pacientes com COVID-19 e hipoxemia que não responde à oxigenoterapia, a suspeita de tromboembolismo pulmonar (TEP) deve ser alta. A angiotomografia de tórax é o exame de escolha para confirmar ou excluir TEP, uma complicação grave e comum da COVID-19.

Contexto Educacional

A pandemia de COVID-19 revelou a complexidade da doença, que vai além de uma pneumonia viral. Uma das complicações mais graves e frequentes é o tromboembolismo pulmonar (TEP), devido ao estado de hipercoagulabilidade induzido pelo SARS-CoV-2. A identificação precoce e o manejo adequado do TEP são cruciais para melhorar o prognóstico dos pacientes. A fisiopatologia da COVID-19 envolve uma resposta inflamatória exacerbada, disfunção endotelial e ativação da cascata de coagulação, levando à formação de microtrombos e macrotrombos. A suspeita de TEP deve surgir em pacientes com COVID-19 que apresentam piora inexplicável da dispneia, hipoxemia refratária à oxigenoterapia, taquicardia persistente ou sinais de instabilidade hemodinâmica. A angiotomografia de tórax é o exame padrão-ouro para o diagnóstico. O tratamento do TEP em pacientes com COVID-19 inclui anticoagulação terapêutica, geralmente com heparina, e suporte respiratório. A profilaxia antitrombótica é recomendada para todos os pacientes hospitalizados com COVID-19. A dexametasona, já iniciada no caso, é um corticoide com benefício comprovado em casos de COVID-19 grave, mas não aborda diretamente o TEP. A vigilância para TEP é um pilar fundamental no manejo de pacientes com COVID-19 grave.

Perguntas Frequentes

Por que o tromboembolismo pulmonar é uma preocupação em pacientes com COVID-19?

Pacientes com COVID-19 apresentam um estado pró-trombótico significativo, com inflamação sistêmica e disfunção endotelial, aumentando o risco de eventos tromboembólicos, incluindo o TEP, que pode agravar a insuficiência respiratória.

Quais são os sinais de alerta para TEP em um paciente com COVID-19?

Sinais de alerta incluem piora súbita da dispneia, hipoxemia refratária à oxigenoterapia, taquicardia desproporcional, dor torácica pleurítica e instabilidade hemodinâmica, mesmo na ausência de sinais clássicos de trombose venosa profunda.

Qual o tratamento inicial para TEP em pacientes com COVID-19?

O tratamento inicial para TEP confirmado em pacientes com COVID-19 geralmente envolve anticoagulação plena com heparina de baixo peso molecular ou heparina não fracionada, a menos que haja contraindicações. O suporte respiratório também é fundamental.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo