TEP Agudo: Diagnóstico Rápido e Anticoagulação Essencial

FAMERP/HB - Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto - Hospital de Base (SP) — Prova 2021

Enunciado

Mulher de 34 anos deu entrada no serviço de emergência com quadro de dor torácica, referida como sendo de início súbito e piorar com a inspiração profunda. Refere que essa dor teve início há 3 dias e que, desde então, apresenta sensação de falta de ar ao realizar esforços que lhe são costumeiros como subir um lance de escadas. Relata também episódios de tosse que, algumas vezes, se associa a escarro com presença de sangue. Ao exame físico, apresenta-se dispneica, sem edemas, com presença de estase jugular a 45°, com ausculta pulmonar limpa e abdome sem alterações. FC = 101 bpm-PA 110x60 mmHg - T° 36,5°C - Saturação em ar ambiente de 93%. Assinale a melhor opção de tratamento para a doença da paciente:

Alternativas

  1. A) Alteplase, 100 mg infundidos em 2 horas.
  2. B) Anticoagulação plena com heparina e, posteriormente, anticoagulação oral.
  3. C) Cinecoronariografia de urgência com angioplastia primária, caso necessário.
  4. D) Associar uso de Inibidor da Enzima de Conversão da Angiotensina (IEC+ Espironolactona + Bisoprolol + Furosemida.

Pérola Clínica

Dor torácica pleurítica + dispneia + hemoptise + taquicardia + estase jugular → Alta suspeita de TEP = Anticoagulação plena.

Resumo-Chave

A paciente apresenta um quadro clínico clássico de tromboembolismo pulmonar (TEP), com dor torácica pleurítica, dispneia, hemoptise, taquicardia e sinais de sobrecarga de ventrículo direito (estase jugular). A saturação de 93% em ar ambiente reforça a hipoxemia. A anticoagulação plena é a base do tratamento para TEP.

Contexto Educacional

O tromboembolismo pulmonar (TEP) é uma condição grave e potencialmente fatal, caracterizada pela oclusão parcial ou total da artéria pulmonar ou seus ramos por um trombo, geralmente originado de uma trombose venosa profunda (TVP). É uma das principais causas de morte hospitalar evitável e representa um desafio diagnóstico devido à sua apresentação clínica variada e inespecífica. A fisiopatologia envolve a obstrução do fluxo sanguíneo pulmonar, levando a um aumento da pós-carga do ventrículo direito, hipoxemia (devido à alteração da relação ventilação/perfusão) e, em casos graves, choque cardiogênico. O diagnóstico é baseado na suspeita clínica (escores de Wells ou Geneva), exames laboratoriais (D-dímero) e de imagem (angiotomografia de tórax). O tratamento do TEP visa prevenir a recorrência e reduzir a mortalidade. A anticoagulação plena, geralmente iniciada com heparina (não fracionada ou de baixo peso molecular) seguida por anticoagulantes orais, é a pedra angular do manejo. Em pacientes com instabilidade hemodinâmica, a trombólise ou embolectomia pode ser indicada. A estratificação de risco é fundamental para guiar a conduta terapêutica.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sintomas e sinais de alerta para TEP?

Os principais sintomas incluem dispneia súbita, dor torácica pleurítica, tosse (com ou sem hemoptise), e síncope. Sinais de alerta são taquicardia, taquipneia, hipoxemia, e sinais de sobrecarga do ventrículo direito como estase jugular.

Por que a anticoagulação plena é o tratamento de escolha para TEP?

A anticoagulação plena é crucial para prevenir a progressão do trombo existente, evitar a formação de novos trombos e reduzir o risco de embolia pulmonar recorrente, permitindo que os mecanismos fibrinolíticos endógenos do corpo dissolvam o coágulo.

Quando considerar a trombólise em casos de TEP?

A trombólise é reservada para pacientes com TEP de alto risco, ou seja, aqueles com instabilidade hemodinâmica (choque ou hipotensão persistente), pois oferece uma rápida dissolução do trombo, mas com maior risco de sangramento.

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