SES-PE - Secretaria de Estado de Saúde de Pernambuco — Prova 2024
Considere um paciente no pós-operatório de uma cirurgia abdominal ou torácica e que começa a desenvolver falta de ar, sat de O2 de 90%. Ausculta cardíaca e respiratória sem grandes anormalidades. Não há queixas em relação aos MM.II e você levanta a suspeita de TEP (tromboembolismo pulmonar). Em relação ao caso, assinale a afirmativa INCORRETA.
Suspeita de TEP com exames iniciais inconclusivos e USG Doppler (-) → NÃO exclui TEP se a suspeita clínica for alta.
O diagnóstico de TEP baseia-se na probabilidade pré-teste. Exames de imagem negativos em pacientes com alta suspeita clínica exigem investigação adicional, não exclusão imediata.
O Tromboembolismo Pulmonar (TEP) é uma das principais causas de morbimortalidade no período pós-operatório, exigindo um alto índice de suspeição. O diagnóstico é guiado pela probabilidade clínica (Escore de Wells ou Genebra). Em pacientes cirúrgicos, o D-dímero perde especificidade devido ao processo inflamatório e cicatricial, sendo raramente útil para exclusão. A Angiotomografia de tórax é o padrão-ouro atual, mas a cintilografia de ventilação/perfusão permanece uma alternativa válida, especialmente em pacientes com contraindicação ao contraste iodado. A estratégia diagnóstica deve ser sequencial: se os exames iniciais forem inconclusivos e a suspeita clínica for elevada, a investigação deve continuar com métodos adicionais, como o Doppler de MMII ou a angiografia pulmonar, para evitar o erro fatal de subdiagnóstico.
O D-dímero possui alto valor preditivo negativo e deve ser utilizado apenas em pacientes com probabilidade clínica baixa ou intermediária (escore de Wells ≤ 4). Em pacientes com alta probabilidade ou em pós-operatório recente (onde o D-dímero costuma estar elevado por inflamação), sua utilidade é limitada, pois um resultado positivo não confirma a doença e um negativo é raro.
Se a Angio-TC for de baixa qualidade técnica ou inconclusiva e a suspeita clínica persistir, deve-se prosseguir a investigação com cintilografia de ventilação/perfusão, ultrassonografia de membros inferiores ou, em casos selecionados, angiografia pulmonar convencional ou angio-ressonância.
Não. Embora a maioria dos casos de TEP se origine de uma TVP nos membros inferiores, o coágulo pode já ter se desprendido totalmente ou ter origem em outros sítios (pelve, membros superiores). Portanto, um Doppler negativo não exclui TEP se a suspeita clínica for moderada a alta.
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