TECM Teórica - Prova Teórica de Clínica Médica — Prova 2025
Considerando que a embolia de pulmão é a terceira síndrome cardiovascular aguda em prevalência (abaixo do infarto agudo do miocárdio e do acidente vascular encefálico), qual a conduta a ser adotada em um paciente jovem que chega ao pronto-socorro com queixa de dor torácica e cuja classificação de risco pelo Escore de Wells foi considerado baixo risco?
Wells baixo risco → Dímero D (alto VPN) para excluir TEP; se positivo → Angio-TC.
Em pacientes com baixa probabilidade clínica de TEP (Wells < 2), o Dímero D é utilizado pelo seu alto valor preditivo negativo para excluir a patologia sem necessidade de radiação.
O Tromboembolismo Pulmonar (TEP) representa uma das principais causas de mortalidade cardiovascular evitável. O desafio diagnóstico reside na sua apresentação clínica inespecífica, variando de dispneia súbita a dor torácica pleurítica. A aplicação sistemática de escores de probabilidade pré-teste, como o Escore de Wells, é fundamental para guiar a investigação e evitar o uso excessivo de exames de imagem caros e com riscos inerentes. Para pacientes de baixo risco, o algoritmo validado internacionalmente preconiza a dosagem do Dímero D. Se negativo, o TEP é excluído. Se positivo, prossegue-se para a Angiotomografia de artérias pulmonares. Em pacientes jovens, essa estratégia é ainda mais relevante para minimizar a exposição radiológica desnecessária, mantendo a segurança diagnóstica através do rigoroso seguimento dos protocolos baseados em evidências científicas atuais.
O Dímero D é um produto da degradação da fibrina com alta sensibilidade, mas baixa especificidade. Sua principal utilidade clínica reside no seu elevado Valor Preditivo Negativo (VPN). Em pacientes classificados como de baixa ou moderada probabilidade clínica (pelos escores de Wells ou Genebra), um resultado de Dímero D abaixo do valor de corte (geralmente 500 ng/mL ou ajustado pela idade) permite excluir o diagnóstico de TEP com segurança, dispensando exames de imagem adicionais.
O Escore de Wells pontua variáveis clínicas: sinais de TVP (3 pts), TEP como diagnóstico mais provável (3 pts), FC > 100 bpm (1,5 pts), imobilização/cirurgia recente (1,5 pts), TVP/TEP prévio (1,5 pts), hemoptise (1 pt) e malignidade (1 pt). Uma pontuação < 2 indica baixo risco. Na versão simplificada (dicotômica), ≤ 4 pontos indicam TEP improvável, onde o Dímero D deve ser o próximo passo para exclusão diagnóstica.
O Dímero D pode estar elevado em diversas condições não relacionadas ao tromboembolismo, como processos inflamatórios, infecções, neoplasias, gestação, cirurgias recentes, traumas e idade avançada. Por isso, ele nunca deve ser usado para confirmar o diagnóstico de TEP, mas apenas para excluí-lo em cenários de baixa probabilidade pré-teste. Em pacientes de alto risco clínico, o Dímero D não deve ser solicitado, partindo-se diretamente para a Angio-TC.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo