Santa Casa de Limeira (SP) — Prova 2026
Adolescente de 14 anos apresenta dor torácica súbita, taquicardia e dispneia intensa após viagem aérea de longa duração. Saturação: 84%. Exames: radiografia normal, gasometria com hipoxemia. Qual exame deve ser solicitado para confirmação diagnóstica?
Dispneia súbita + Hipoxemia + RX tórax normal + Fator de risco (viagem) → Pensar em TEP.
O tromboembolismo pulmonar (TEP) deve ser suspeitado em pacientes com hipoxemia inexplicada por exames radiológicos simples, especialmente na presença de fatores de risco como imobilização prolongada.
O tromboembolismo pulmonar (TEP) resulta da oclusão da vasculatura pulmonar por trombos originados, geralmente, no sistema venoso profundo dos membros inferiores. A tríade de Virchow (estase venosa, lesão endotelial e hipercoagulabilidade) explica a fisiopatologia do evento, sendo a imobilização em viagens longas um gatilho clássico para a estase. Clinicamente, a dissociação entre a gravidade da hipoxemia e a normalidade da radiografia de tórax é um forte indício diagnóstico. A angiotomografia de artérias pulmonares permite a identificação de falhas de enchimento luminais, sendo essencial para a confirmação e estratificação de risco, orientando o início imediato da anticoagulação terapêutica.
A angiotomografia de artérias pulmonares (angio-TC) é atualmente o exame de escolha para a confirmação diagnóstica do tromboembolismo pulmonar devido à sua alta sensibilidade e especificidade, permitindo a visualização direta de trombos na árvore arterial pulmonar. Em casos de contraindicação ao contraste iodado, a cintilografia de ventilação/perfusão ou o Doppler de membros inferiores podem ser considerados como alternativas diagnósticas iniciais.
No TEP agudo, a radiografia de tórax é frequentemente normal ou apresenta sinais inespecíficos, como atelectasias laminares ou pequeno derrame pleural. Sinais clássicos como a corcova de Hampton ou o sinal de Westermark são raros. A principal utilidade do RX de tórax na suspeita de TEP é excluir outros diagnósticos diferenciais que cursam com dor torácica e dispneia, como pneumotórax ou pneumonia lobar.
Em adolescentes e adultos jovens, os fatores de risco incluem o uso de anticoncepcionais orais combinados, tabagismo, obesidade, traumas recentes, cirurgias ortopédicas e estados de imobilização prolongada, como viagens aéreas de longa duração (síndrome da classe econômica). Além disso, a investigação de trombofilias hereditárias (como o Fator V de Leiden ou deficiência de proteína C/S) deve ser considerada após o evento agudo.
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