Tromboembolismo Pulmonar (TEP): Diagnóstico e Manejo no Puerpério

HOS/BOS - Hospital Oftalmológico de Sorocaba - Banco de Olhos (SP) — Prova 2021

Enunciado

Mulher, 52 anos, procurou a emergência por dor torácica em hemitórax esquerdo, de moderada intensidade, ventilatório dependente, súbita, há 50 minutos. Ao exame físico: mau estado geral, lúcida, orientada e consciente, ventilando em ar ambiente com SaO2 (saturação arterial de O2) de 82%, FR: 24 irpm, cianótica central. À ausculta cardíaca, observa-se sopro diastólico em foco tricúspide e, na ausculta pulmonar, apresentava murmúrios vesiculares diminuídos em base esquerda. Pressão arterial de 105 x 70 mmHg em ambos os membros e frequência cardíaca de 125 bpm. Como antecedentes pessoais, relata cesariana realizada há 25 dias, dor e edema em membro inferior esquerdo há 5 dias. A principal hipótese diagnóstica e conduta são, respectivamente:

Alternativas

  1. A) tromboembolismo pulmonar; anticoagulação plena com heparina de baixo peso molecular.
  2. B) dissecção aórtica; cirurgia aberta imediata com correção aórtica utilizando prótese de Dacron®.
  3. C) aneurisma de aorta torácica roto; tratamento endovascular de aorta com utilização de endoprótese.
  4. D) infarto agudo do miocárdio; tratamento clínico com analgesia (opioides e vasodilatador direto (nitroprussiato.
  5. E) hemotórax à esquerda; drenagem sob anestesia local, colocação de sistema em selo d’água e RX e controle a posteriori.

Pérola Clínica

Pós-cesariana + dor torácica súbita + dispneia + hipoxemia = TEP, iniciar anticoagulação.

Resumo-Chave

Paciente no puerpério (pós-cesariana) com dor torácica súbita, dispneia, taquicardia, hipoxemia e sinais de TVP tem alta probabilidade de TEP. A conduta inicial é anticoagulação plena imediata.

Contexto Educacional

O tromboembolismo pulmonar (TEP) é uma condição grave e potencialmente fatal, sendo uma das principais causas de mortalidade materna no puerpério. A gravidez e o puerpério são estados de hipercoagulabilidade, e a cesariana aumenta ainda mais o risco de eventos tromboembólicos. A suspeita clínica é fundamental, especialmente em pacientes com fatores de risco. O quadro clínico clássico de TEP inclui dispneia súbita, dor torácica ventilatório dependente, taquicardia, taquipneia e hipoxemia. A presença de dor e edema em membro inferior (sugestivo de trombose venosa profunda - TVP) reforça a hipótese. A cianose central e o mau estado geral indicam gravidade e comprometimento hemodinâmico. Diante de alta suspeita clínica e instabilidade hemodinâmica ou sinais de gravidade, a conduta inicial é a anticoagulação plena imediata, geralmente com heparina de baixo peso molecular (HBPM) ou heparina não fracionada, mesmo antes da confirmação diagnóstica por exames de imagem (como angiotomografia de tórax). O tratamento rápido e adequado é crucial para reduzir a morbimortalidade.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais fatores de risco para TEP no puerpério?

Os principais fatores de risco incluem cesariana, imobilização prolongada, multiparidade, obesidade e história prévia de trombose venosa profunda, devido ao estado de hipercoagulabilidade.

Quais são os sinais e sintomas clássicos de TEP?

Os sintomas incluem dispneia súbita, dor torácica pleurítica, taquicardia, taquipneia, tosse e, em casos graves, hipotensão e cianose, refletindo a obstrução vascular pulmonar.

Qual a conduta inicial para suspeita de TEP com instabilidade hemodinâmica?

Em casos de TEP com instabilidade hemodinâmica, além da anticoagulação plena imediata, pode ser necessária a trombólise ou embolectomia, dependendo da gravidade e contraindicações.

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