INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2024
Uma mulher de 38 anos é atendida em hospital de pronto-socorro com dispneia acentuada. Ela queixa-se de falta de ar muito intensa, iniciada, subitamente, há 2 horas. A acompanhante relata que, há 3 dias, a paciente procurou a emergência por dispneia, tosse, hemoptise e dor torácica ventilatório-dependente à esquerda. Nessa ocasião, foi iniciado tratamento para pneumonia. Atualmente, a paciente se encontra pálida, com cianose labial. Em exame físico, constatam-se os seguintes resultados:O médico solicita administração de oxigênio a 100% por máscara não reinalante, com reservatório. A saturação de O₂ eleva-se para 93%. À ausculta pulmonar, nota-se sons pulmonarespresentes e simétricos. Como antecedentes patológicos, a paciente apresenta lúpus eritematoso sistêmico e síndrome do anticorpo antifosfolípide. O médico solicita uma radiografia de tórax, cujo resultado é apresentado na imagem seguinte.Acerca desse caso, faça o que se pede nos itens a seguir.a) Qual é o diagnóstico atual mais provável para explicar o agravamento do quadro respiratório? (valor: 4,0 pontos)b) Cite três sinais clínicos que, se presentes no seguimento do exame físico da paciente, corroborariam o diagnóstico mais provável. (valor: 3,0 pontos)c) Descreva a alteração radiológica presente que corrobora o diagnóstico mais provável. (valor: 3,0 pontos)
Dispneia súbita + SAF/Lúpus + RX normal/oligoemia → Pensar em Tromboembolismo Pulmonar (TEP).
O TEP é uma complicação frequente em pacientes com SAF e Lúpus devido ao estado pró-trombótico. A tríade de Virchow é exacerbada pela inflamação crônica e anticorpos antifosfolípides.
O Tromboembolismo Pulmonar (TEP) representa uma emergência cardiovascular comum em pacientes com doenças reumatológicas sistêmicas. No contexto do Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES) associado à SAF, o risco trombótico é multifatorial, envolvendo inflamação endotelial e autoanticorpos. O diagnóstico requer alta suspeição clínica, especialmente quando há dispneia súbita e dor pleurítica. A estabilização hemodinâmica e a oxigenoterapia são prioridades iniciais, seguidas pela confirmação diagnóstica via Angio-TC de tórax ou Cintilografia, conforme a função renal e estabilidade do paciente. O tratamento baseia-se na anticoagulação plena, inicialmente com heparinas e posterior transição para varfarina (padrão-ouro na SAF).
Embora a radiografia de tórax seja frequentemente normal ou apresente achados inespecíficos como atelectasias laminares, sinais clássicos incluem o Sinal de Westermark (oligoemia focal) e a Corcova de Hampton (opacidade em cunha periférica sugerindo infarto pulmonar). A principal utilidade do RX é excluir outros diagnósticos como pneumotórax ou pneumonia lobar.
A Síndrome do Anticorpo Antifosfolípide (SAF) é uma condição autoimune trombofílica caracterizada pela presença de anticorpos (anticoagulante lúpico, anticardiolipina, anti-beta2-glicoproteína I) que ativam o sistema de coagulação, plaquetas e células endoteliais, aumentando drasticamente o risco de eventos tromboembólicos venosos e arteriais.
O TEP costuma ter início súbito e hipoxemia desproporcional aos achados da ausculta pulmonar (que costuma estar limpa). A pneumonia geralmente apresenta quadro mais arrastado, febre alta, expectoração purulenta e estertores localizados. Em pacientes com lúpus, a suspeita de TEP deve ser sempre alta devido à hipercoagulabilidade.
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