Tromboembolismo Pulmonar: Diagnóstico e Conduta na Emergência

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2013

Enunciado

Homem com 60 anos de idade, obeso, procurou Setor de Emergência de um hospital público com queixas de dor na panturrilha esquerda e edema de membros inferiores, após uma viagem de ônibus de doze horas de duração. Evoluiu com dispneia súbita, sem melhora com a mudança postural, além de hemoptise e taquicardia. A ausculta pulmonar revelou presença de crepitações no terço médio de ambos os pulmões. A hipótese diagnóstica principal e a opção terapêutica recomendada são, respectivamente:

Alternativas

  1. A) Tromboembolismo pulmonar agudo; heparina de baixo peso molecular associada a trombolítico.
  2. B) Pneumotórax hipertensivo; drenagem torácica fechada associada a pressão negativa.
  3. C) Infarto agudo do miocárdio; trombolítico associado a angioplastia percutânea de resgate.
  4. D) Pneumonia bacteriana; oxigenoterapia associada a antibioticoterapia de amplo espectro.
  5. E) Derrame pleural; drenagem torácica fechada associada a exame de cultura do líquido pleural.

Pérola Clínica

Dispneia súbita + Fatores de risco (estase/obesidade) + Hemoptise → Suspeite de TEP e inicie anticoagulação.

Resumo-Chave

O TEP é uma emergência cardiovascular comum em pacientes com fatores de risco para TVP. O tratamento padrão envolve anticoagulação, reservando-se trombolíticos para casos de instabilidade hemodinâmica.

Contexto Educacional

O Tromboembolismo Pulmonar (TEP) decorre da obstrução da artéria pulmonar ou de seus ramos por trombos originados, na maioria das vezes, no sistema venoso profundo dos membros inferiores. A fisiopatologia envolve o aumento súbito da resistência vascular pulmonar, o que pode levar à falência do ventrículo direito. O diagnóstico baseia-se na probabilidade clínica (Escore de Wells ou Genebra), dosagem de D-dímero e exames de imagem como a angiotomografia de tórax. O manejo terapêutico é estratificado pelo risco de mortalidade. A anticoagulação imediata com Heparina de Baixo Peso Molecular (HBPM) é fundamental para impedir a progressão do trombo. Em situações de TEP maciço com instabilidade hemodinâmica, a trombólise sistêmica é recomendada para restaurar rapidamente o fluxo pulmonar, apesar do risco aumentado de sangramento.

Perguntas Frequentes

Quais os principais sinais clínicos do TEP agudo?

Os sinais mais comuns incluem dispneia súbita, taquipneia, dor torácica pleurítica e taquicardia. Em casos mais graves ou com infarto pulmonar associado, pode ocorrer hemoptise. Sinais de trombose venosa profunda (TVP), como edema e dor na panturrilha, corroboram fortemente a suspeita diagnóstica, embora nem sempre estejam presentes no momento da avaliação inicial.

Quando indicar trombolíticos no TEP?

A terapia trombolítica está indicada para pacientes com TEP de alto risco, caracterizado por instabilidade hemodinâmica (choque obstrutivo ou hipotensão persistente com PAS < 90 mmHg). Em pacientes estáveis (risco intermediário ou baixo), a conduta preferencial é a anticoagulação plena com heparina de baixo peso molecular (HBPM), heparina não fracionada ou anticoagulantes orais diretos.

Como a obesidade e viagens longas influenciam o risco de TEP?

Ambos são componentes da Tríade de Virchow. A obesidade promove um estado pró-inflamatório e pró-trombótico, enquanto viagens longas (acima de 4 horas) causam estase venosa prolongada nos membros inferiores. Juntos, esses fatores aumentam significativamente a probabilidade de formação de trombos venosos que podem se desprender e causar embolia pulmonar.

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