Tratamento de TVP em Pacientes com Câncer: Uso de DOACs

UERJ/HUPE - Hospital Universitário Pedro Ernesto (RJ) — Prova 2025

Enunciado

Paciente de 50 anos com carcinoma gástrico vai à emergência com dor na perna esquerda. Não tem queixas respiratórias. Está hipocorado +/4+, eupneico, estável hemodinamicamente e, na perna esquerda, tem edema mole com cacifo ++/4+, temperatura discretamente aumentada e apresenta ligeiro rubor nesse membro. O ecodoppler confirma o diagnóstico de trombose venosa profunda. O paciente refere não querer permanecer internado nem usar injeções subcutâneas. A melhor opção nesse momento é iniciar:

Alternativas

  1. A) Dipiridamol.
  2. B) Apixaban.
  3. C) Warfarina.
  4. D) Aspirina.

Pérola Clínica

DOACs (Apixabana/Rivaroxabana) são 1ª linha no câncer, exceto se alto risco de sangramento TGI/GU.

Resumo-Chave

Em pacientes com câncer e TVP que recusam injetáveis, os DOACs como a Apixabana são seguros e eficazes, superando a Varfarina em conveniência e perfil terapêutico.

Contexto Educacional

O tromboembolismo venoso (TEV) é uma das principais causas de morte em pacientes com câncer. Por décadas, a Heparina de Baixo Peso Molecular (HBPM) foi o padrão-ouro. Recentemente, grandes ensaios clínicos (Hokusai-VTE Cancer, SELECT-D, Caravaggio) validaram os DOACs como alternativas robustas. A escolha entre HBPM e DOAC deve ser individualizada. Pacientes com tumores luminais do trato digestivo ou geniturinário têm maior risco de sangramento com alguns DOACs. No caso clínico apresentado, a recusa do paciente a injeções e a necessidade de tratamento ambulatorial tornam a Apixabana a escolha mais adequada, equilibrando eficácia antitrombótica e conveniência, respeitando a autonomia do paciente.

Perguntas Frequentes

Por que preferir DOACs em vez de Varfarina no câncer?

A Varfarina é difícil de manejar em pacientes oncológicos devido a interações com quimioterápicos, desnutrição e náuseas que afetam o INR. Os DOACs (como Apixabana e Rivaroxabana) demonstraram eficácia não inferior à HBPM e superior à Varfarina, com maior facilidade posológica e sem necessidade de monitorização laboratorial constante.

Existe restrição ao uso de DOACs em câncer gástrico?

Sim, há uma preocupação com o aumento de sangramentos gastrointestinais luminais com o uso de Edoxabana e Rivaroxabana em tumores TGI altos não ressecados. No entanto, estudos como o Caravaggio mostraram que a Apixabana é segura e não aumentou significativamente o sangramento gastrointestinal maior em comparação com a Dalteparina, tornando-a uma excelente opção.

Qual a duração do tratamento de TVP no paciente oncológico?

O tratamento deve durar pelo menos 6 meses. Após esse período, a anticoagulação deve ser mantida indefinidamente enquanto o câncer estiver ativo, o paciente estiver sob tratamento quimioterápico ou houver fatores de risco persistentes, reavaliando periodicamente o risco-benefício de sangramento.

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