TEP na Gestação: Diagnóstico e Manejo de Urgência

UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2023

Enunciado

Mulher, 34 anos de idade, procura o PS com dispneia progressiva nas últimas 2 semanas, com piora nas últimas 24 horas, associada a dor torácica ventilatório dependente em hemitórax direito há 2 horas. Está gestante de 30 semanas com pré-natal sem intercorrências e bom desenvolvimento fetal. Tem asma desde a infância com episódios de tosse, chiado e falta de ar no inverno, sem crises durante a gestação. Ao exame: BEG, afebril, taquipneica; PA= 100/60 mmHg, FC= 110 bpm, FR= 32 irpm, SpO²= 93%; ausculta respiratória com sons pulmonares globalmente reduzidos e raros sibilos; abdome gravídico; edema maleolar bilateral, sem sinais de empastamento. Exames: ECG= taquicardia sinusal; Rx de tórax= sem alterações; gasometria arterial em ar ambiente com pH= 7,45, PaO²= 66 mmHg, PaCO² = 31 mmHg, HCO³ = 20 mEq/L, SpO² = 93%. Hemograma e função renal normais.Considerando o quadro atual, qual é a conduta mais adequada?

Alternativas

  1. A) Contraindicar a angiotomografia de tórax, considerando o risco de teratogenicidade. 
  2. B) Excluir o diagnóstico de tromboembolia pulmonar aguda se o dímero-D for negativo.
  3. C) Aplicar uma dose de 60 mg de enoxaparina e encaminhar a paciente para angiotomografia de tórax.
  4. D) Solicitar ultrassonografia com Doppler de membros inferiores e angioressonância de tórax.

Pérola Clínica

Gestante com dispneia aguda, dor pleurítica e hipoxemia → alta suspeita de TEP; iniciar anticoagulação e investigar.

Resumo-Chave

A TEP é uma causa importante de morbimortalidade na gestação. Diante de alta suspeita clínica (dispneia aguda, dor pleurítica, taquicardia, hipoxemia), a conduta inicial é iniciar a anticoagulação terapêutica (ex: enoxaparina) e prosseguir com o diagnóstico por imagem (angiotomografia de tórax), que é segura na gestação com proteção fetal.

Contexto Educacional

A tromboembolia pulmonar (TEP) é uma das principais causas de mortalidade materna em países desenvolvidos, sendo a gestação um estado de hipercoagulabilidade fisiológica que aumenta o risco tromboembólico. A apresentação clínica pode ser desafiadora, pois sintomas como dispneia e edema são comuns na gestação normal. No entanto, a presença de dispneia aguda, dor torácica pleurítica, taquicardia e hipoxemia deve levantar forte suspeita de TEP. O diagnóstico de TEP na gestação requer uma abordagem cuidadosa. O dímero-D, embora útil em não gestantes, tem seu valor preditivo negativo reduzido na gestação avançada devido aos níveis fisiologicamente elevados. A radiografia de tórax é frequentemente normal na TEP. A angiotomografia de tórax (angio-TC) é o exame de imagem de escolha para confirmar o diagnóstico, sendo considerada segura com as devidas precauções para proteção fetal. A ultrassonografia com Doppler de membros inferiores pode ser útil para identificar trombose venosa profunda (TVP) associada. A conduta inicial em casos de alta suspeita de TEP em gestantes é a anticoagulação terapêutica imediata, geralmente com heparina de baixo peso molecular (HBPM), como a enoxaparina, que não atravessa a barreira placentária. O tratamento deve ser mantido durante toda a gestação e no puerpério. A decisão de iniciar a anticoagulação empírica antes da confirmação diagnóstica é crucial para reduzir a morbimortalidade materna, ponderando os riscos e benefícios.

Perguntas Frequentes

Quais sinais e sintomas sugerem TEP em uma gestante?

Dispneia súbita ou progressiva, dor torácica pleurítica, taquicardia, taquipneia, tosse e, em casos graves, síncope ou choque, especialmente na presença de fatores de risco como edema de membros inferiores.

Qual a importância de iniciar a anticoagulação antes da confirmação diagnóstica na TEP em gestantes?

Devido à alta morbimortalidade da TEP não tratada, a anticoagulação empírica deve ser iniciada imediatamente em casos de alta suspeita clínica, enquanto se aguarda a confirmação por exames de imagem.

É seguro realizar angiotomografia de tórax em gestantes?

Sim, a angiotomografia de tórax é considerada segura na gestação para o diagnóstico de TEP, com o uso de blindagem abdominal para minimizar a exposição fetal à radiação. O risco da TEP não diagnosticada e não tratada é significativamente maior.

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