Tromboelastografia (TEG): Interpretação do Tempo R Prolongado

AMP - Associação Médica do Paraná — Prova 2026

Enunciado

Paciente de 58 anos, com cirrose hepática por hepatite C, é submetido a transplante hepático ortotópico. Durante o intraoperatório, apresenta sangramento difuso, e os exames laboratoriais convencionais (TAP/RNI e TTP) mostram prolongamento moderado dos tempos, sem clara correlação com a gravidade do sangramento. O anestesista solicita uma tromboelastografia (TEG), que revela: tempo R prolongado, tempo K normal, ângulo α normal, amplitude máxima normal e LY30 < 1%. Com base nesses achados, qual é a conduta mais apropriada?

Alternativas

  1. A) Administração de plasma fresco congelado (PFC), pois o tempo R prolongado sugere deficiência de fatores de coagulação da fase inicial.
  2. B) Transfusão de plaquetas, pois a amplitude máxima representa a agregação plaquetária, e o sangramento indica trombocitopenia funcional.
  3. C) Nenhuma conduta específica, pois o TEG está normal e o sangramento deve ser contido com ligaduras vasculares cirúrgicas.
  4. D) Início de antifibrinolítico (ácido tranexâmico), pois o LY30 está aumentado, indicando lise precoce do coágulo.
  5. E) Administração de crioprecipitado, pois o tempo K está alterado, indicando deficiência de fibrinogênio.

Pérola Clínica

Tempo R prolongado no TEG → Deficiência de fatores de coagulação → Tratar com Plasma Fresco Congelado (PFC).

Resumo-Chave

O tempo R (Reaction time) reflete o início da formação de trombina; seu prolongamento indica deficiência de fatores de coagulação, exigindo reposição de plasma ou complexo protrombínico.

Contexto Educacional

A tromboelastografia (TEG) tornou-se o padrão-ouro para o manejo de sangramentos em cirurgias de grande porte e trauma, especialmente no transplante hepático. Ela permite uma abordagem de 'transfusão guiada por metas', reduzindo o uso desnecessário de hemocomponentes e as complicações associadas, como a sobrecarga volêmica (TACO) e a lesão pulmonar aguda (TRALI). No paciente cirrótico, a síntese de fatores de coagulação está reduzida, mas há também uma redução concomitante de anticoagulantes naturais (Proteína C e S). O TEG captura esse estado de 'rebalanceamento' da hemostasia. Quando o tempo R está prolongado, a intervenção com plasma visa repor os fatores deficitários para acelerar o início da geração de trombina, estabilizando o quadro hemorrágico intraoperatório.

Perguntas Frequentes

O que o tempo R representa no TEG?

O tempo R (Reaction time) representa o intervalo desde o início do teste até a formação inicial de fibrina (amplitude de 2mm). Ele avalia a integridade da via intrínseca e a disponibilidade de fatores de coagulação. No contexto cirúrgico, um R prolongado sugere que a cascata de coagulação está lenta para iniciar, geralmente devido à deficiência de fatores, sendo corrigido com Plasma Fresco Congelado ou concentrado de complexo protrombínico.

Quando indicar crioprecipitado baseado no TEG?

O crioprecipitado é indicado quando há evidência de hipofibrinogenemia. No TEG, isso é traduzido por um tempo K prolongado ou um ângulo alfa (α) reduzido. O ângulo alfa mede a velocidade de formação do coágulo e o tempo K mede o tempo para atingir 20mm de amplitude; ambos dependem fortemente da concentração de fibrinogênio e, em menor grau, da função plaquetária.

Qual a vantagem do TEG sobre exames convencionais como TAP e TTP?

O TEG e outros testes viscoelásticos avaliam a dinâmica global da formação, estabilização e lise do coágulo em sangue total, refletindo melhor a hemostasia in vivo do que testes estáticos em plasma. Em pacientes cirróticos, o TAP e TTP costumam estar alterados devido ao desequilíbrio de proteínas pró e anticoagulantes, mas não predizem fielmente o risco de sangramento real, tornando o TEG superior para guiar transfusões.

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