Trombocitopenia Grave: Investigação e Diagnóstico de HIV

Santa Casa de Belo Horizonte (MG) — Prova 2023

Enunciado

Homem de 21 anos apresenta múltiplas sufusões pelo corpo de início há 3 dias. Nega traumas, outras manifestações clínicas, comorbidades conhecidas, uso de medicamentos e de drogas lícitas ou ilícitas. Não possui história familiar significativa. Ao exame físico, PA: 110 x 70 mmHg, FC: 68 bpm, Tax: 36,5°C. Apresenta sufusões nos membros superiores, inferiores e tronco. Sem outras anormalidades quaisquer (incluindo linfonodomegalias visceromegalias abdominais). Exames de laboratório: hemoglobina: 15,3 g/dL (VR 12-16 g/dL); Leucócitos: 5.840/mm³ (4000- 11.000/mm³); neutrófilos: 2.580/mm³ (1500-7000/mm³); linfócitos: 1.250/mm³ (1000-4.000/mm³); plaquetas 9.000/mm³ (150.000-450.000/mm³); hematoscopia do sangue periférico: presença de macroplaquetas, sem anormalidades; creatinina: 0,7 mg/dL; bilirrubina outras total: 0,4 mg/dL (< 1,2mg/dL); PCR: 1,2mg/L (<5mg/L): TSH: 1,560 mUI/L (0,5-5,0 mUI/L); RNI 1,1 PTTa 25/25; exame de urina sem alterações. Assinale a alternativa que apresenta um exame diagnóstico CORRETAMENTE indicado na propedêutica desse caso.

Alternativas

  1. A) Mielograma.
  2. B) Fibrinogênio.
  3. C) Anticorpos anti-HIV.
  4. D) TC de pescoço, tórax e abdome total.

Pérola Clínica

Trombocitopenia isolada grave + macroplaquetas → Investigar causas secundárias, incluindo HIV.

Resumo-Chave

A trombocitopenia isolada e grave, especialmente em um jovem sem comorbidades aparentes e com macroplaquetas (sugerindo produção medular compensatória), exige uma investigação abrangente para causas secundárias, sendo a infecção por HIV uma etiologia importante a ser excluída.

Contexto Educacional

A trombocitopenia grave, definida por uma contagem de plaquetas abaixo de 50.000/mm³, e especialmente abaixo de 10.000/mm³, é uma condição que exige investigação imediata devido ao risco de sangramentos espontâneos. Em um paciente jovem, sem comorbidades e com trombocitopenia isolada, o diagnóstico diferencial é amplo e inclui causas primárias e secundárias. A Púrpura Trombocitopênica Imune (PTI) é uma das causas mais comuns de trombocitopenia isolada, caracterizada pela destruição autoimune de plaquetas. No entanto, é crucial descartar causas secundárias, que podem mimetizar a PTI ou coexistir. Infecções virais, como a pelo Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV), são etiologias importantes de trombocitopenia, podendo ser a primeira manifestação da doença. A trombocitopenia associada ao HIV pode ocorrer por diversos mecanismos, incluindo destruição imune, supressão medular e infecção direta de megacariócitos. A propedêutica de uma trombocitopenia isolada deve incluir uma anamnese detalhada, exame físico completo e exames laboratoriais complementares. A presença de macroplaquetas na hematoscopia sugere um processo de destruição periférica com produção medular compensatória. Diante de um quadro de trombocitopenia grave sem causa aparente, a pesquisa de anticorpos anti-HIV é um passo fundamental para o diagnóstico diferencial e manejo adequado do paciente, garantindo que uma condição potencialmente grave e tratável não seja negligenciada.

Perguntas Frequentes

Quais são as principais causas de trombocitopenia grave isolada em um jovem?

As principais causas incluem Púrpura Trombocitopênica Imune (PTI) primária, infecções virais (como HIV, HCV, CMV), lúpus eritematoso sistêmico, síndromes mielodisplásicas e efeitos de medicamentos.

Por que a pesquisa de anticorpos anti-HIV é indicada neste caso?

A infecção por HIV pode causar trombocitopenia isolada, muitas vezes grave, devido a mecanismos como destruição plaquetária imune, supressão medular e infecção de megacariócitos. É uma causa importante a ser excluída.

O que a presença de macroplaquetas sugere na trombocitopenia?

A presença de macroplaquetas na hematoscopia sugere que a medula óssea está tentando compensar a destruição plaquetária periférica, liberando plaquetas jovens e maiores, o que é comum na PTI e em outras trombocitopenias de origem periférica.

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