Trombocitopenia Grave: Propedêutica Inicial e Mielograma

HE Cachoeiro - Hospital Evangélico de Cachoeiro de Itapemirim (ES) — Prova 2020

Enunciado

Homem de 18 anos se queixa de manchas roxas nos 4 membros há 3 semanas.Desconhece doenças prévias, nega uso de medicamentos ou uso de quaisquer drogas ilícitas. Sem outras queixas. O exame físico revela áreas de sufusão na pele dos membros superiores e inferiores, indolores e planas. Sem outras anormalidades. Exame de laboratório: hemoglobina 15,1g/dL, VCM 88fL, HCM 28pg, CHCM 34g/dL, leucócitos 7.800/mm³, neutrófilos 4.560/mm³, linfócitos 1.240/mm³, plaquetas 4.000/mm³.Considerando o caso descrito, assinale a alternativa que apresente um teste que NÃO está indicado na propedêutica inicial do paciente:

Alternativas

  1. A) Hematoscopia do sangue periférico.
  2. B) Mielograma.
  3. C) Sorologia para HIV.
  4. D) Sorologias para hepatites virais.

Pérola Clínica

Trombocitopenia isolada grave → Hematoscopia + Exclusão causas secundárias (HIV, hepatites). Mielograma NÃO é inicial.

Resumo-Chave

Em um paciente jovem com trombocitopenia isolada e sem outras alterações hematológicas, a propedêutica inicial foca em confirmar a plaquetopenia, excluir pseudo-trombocitopenia e investigar causas secundárias. O mielograma é reservado para casos atípicos, refratários ou com outras citopenias.

Contexto Educacional

A trombocitopenia, definida como contagem de plaquetas abaixo de 150.000/mm³, é uma condição comum na prática clínica. A trombocitopenia grave, com plaquetas abaixo de 10.000-20.000/mm³, aumenta significativamente o risco de sangramentos espontâneos e requer investigação e manejo urgentes. A Púrpura Trombocitopênica Imune (PTI) é uma das causas mais frequentes de trombocitopenia isolada em adultos jovens, sendo um diagnóstico de exclusão. A propedêutica inicial da trombocitopenia deve ser sistemática. A hematoscopia do sangue periférico é crucial para confirmar a plaquetopenia, avaliar a morfologia plaquetária (ex: plaquetas grandes na PTI) e excluir pseudo-trombocitopenia (agregação plaquetária in vitro). A investigação de causas secundárias, como sorologias para HIV e hepatites virais, é fundamental, pois essas infecções podem induzir trombocitopenia. O mielograma, embora importante em hematologia, não é um exame de primeira linha para trombocitopenia isolada, sendo reservado para cenários onde há suspeita de doença medular primária, outras citopenias ou falha terapêutica. O manejo da trombocitopenia depende da causa e da gravidade. Na PTI, o tratamento inicial pode incluir corticosteroides ou imunoglobulina intravenosa. A identificação precoce da etiologia e a exclusão de condições que mimetizam a PTI são essenciais para um tratamento eficaz e para evitar procedimentos invasivos desnecessários, como o mielograma em casos típicos de PTI.

Perguntas Frequentes

Quais são os primeiros passos na investigação de uma trombocitopenia grave?

Os primeiros passos incluem a confirmação da plaquetopenia por hematoscopia, para excluir pseudo-trombocitopenia e avaliar a morfologia das células sanguíneas. Em seguida, investigam-se causas secundárias, como infecções virais (HIV, hepatites) e doenças autoimunes.

Quando o mielograma é indicado na propedêutica da trombocitopenia?

O mielograma não é um exame de rotina na trombocitopenia isolada. Ele é indicado em casos de suspeita de neoplasia hematológica, presença de outras citopenias, alterações morfológicas no sangue periférico ou falha na resposta ao tratamento inicial da Púrpura Trombocitopênica Imune (PTI).

Quais são as principais causas de trombocitopenia isolada em adultos jovens?

As principais causas incluem a Púrpura Trombocitopênica Imune (PTI), que é um diagnóstico de exclusão, e trombocitopenias secundárias a infecções virais (como HIV, hepatites, mononucleose), uso de medicamentos ou doenças autoimunes sistêmicas.

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