Trombocitopenia Induzida por Heparina Tipo II: Diagnóstico

HIS - Hospital Infantil Sabará (SP) — Prova 2025

Enunciado

Mulher, de 66 anos de idade, está internada na Unidade de Terapia Intensiva para tratamento de pielonefrite e abscesso renal. Evoluiu com choque séptico, sendo necessário iniciar ventilação mecânica invasiva e uso de drogas vasoativas há 7 dias. Está realizando profilaxia de tromboembolismo com enoxaparina subcutânea e profilaxia de úlcera de estresse com omeprazol intravenoso. Vinha apresentando taquicardia e hipertensão associados à administração de heparina, atribuídos a resposta dolorosa, com ajuste de analgesia no terceiro dia. No quinto dia de internação evoluiu com tromboembolismo pulmonar, confirmado por angiotomografia de tórax. Os exames laboratoriais do dia e da admissão mostravam os seguintes resultados: Qual é o diagnóstico da paciente?

Alternativas

  1. A) Trombocitopenia induzida por heparina do tipo I.
  2. B) Trombocitopenia induzida por heparina do tipo II.
  3. C) Coagulação intravascular disseminada.
  4. D) Púrpura trombocitopênica trombótica.
  5. E) Púrpura trombocitopênica imune.

Pérola Clínica

HIT tipo II: Trombocitopenia + Trombose (5-10 dias após heparina) = Suspender heparina e iniciar anticoagulante alternativo.

Resumo-Chave

A trombocitopenia induzida por heparina (HIT) tipo II é uma complicação grave e imunomediada do uso de heparina, caracterizada por trombocitopenia (geralmente uma queda >50% das plaquetas) e, crucialmente, o desenvolvimento de novas tromboses (arteriais ou venosas) 5 a 10 dias após o início da heparina. O quadro clínico da paciente, com TEP após 5 dias de enoxaparina, é altamente sugestivo de HIT tipo II.

Contexto Educacional

A Trombocitopenia Induzida por Heparina (HIT) é uma complicação grave e potencialmente fatal do tratamento com heparina, sendo crucial para residentes e intensivistas reconhecerem seus sinais. Existem dois tipos: a HIT tipo I, que é benigna, não imunomediada e autolimitada, com queda leve e precoce das plaquetas sem eventos trombóticos; e a HIT tipo II, que é imunomediada e clinicamente significativa. A HIT tipo II é caracterizada por trombocitopenia (queda de plaquetas >50% ou para <100.000/mm³) e, paradoxalmente, um estado protrombótico, levando à formação de trombos arteriais ou venosos. A incidência varia, mas é mais comum com heparina não fracionada. A fisiopatologia da HIT tipo II envolve a formação de anticorpos (geralmente IgG) contra o complexo de heparina e o fator plaquetário 4 (PF4). Esses complexos se ligam à superfície das plaquetas, ativando-as e levando à sua agregação e consumo, resultando em trombocitopenia. A ativação plaquetária também libera mais PF4, perpetuando o ciclo e promovendo a formação de trombos. O quadro clínico típico se manifesta entre 5 e 10 dias após o início da heparina, com o desenvolvimento de trombose (Trombose Venosa Profunda, Tromboembolismo Pulmonar, trombose arterial) e a queda das plaquetas. Em pacientes previamente expostos à heparina, a reação pode ser mais rápida (em 24 horas). O diagnóstico é clínico, baseado nos critérios 4T's (Thrombocytopenia, Timing, Thrombosis, Other causes), e confirmado por testes laboratoriais (ELISA para anticorpos anti-PF4/heparina e testes funcionais de ativação plaquetária). O manejo é uma emergência: a heparina deve ser suspensa imediatamente, e um anticoagulante alternativo não heparínico (como argatroban, bivalirudina ou fondaparinux) deve ser iniciado para tratar a trombose e prevenir novos eventos. A não identificação e tratamento adequado da HIT tipo II podem levar a complicações graves, como amputações, AVC e óbito.

Perguntas Frequentes

Quais são as características clínicas e laboratoriais da Trombocitopenia Induzida por Heparina (HIT) tipo II?

A HIT tipo II é caracterizada por uma queda de plaquetas (geralmente >50% do valor basal) que ocorre 5 a 10 dias após o início da heparina, ou mais cedo se houver exposição prévia. O achado mais crítico é o desenvolvimento de novas tromboses arteriais ou venosas, como TEP, trombose venosa profunda ou isquemia de membros, apesar da anticoagulação.

Qual a fisiopatologia da HIT tipo II e por que ela causa trombose?

A HIT tipo II é uma reação imunomediada onde anticorpos (anti-PF4/heparina) se ligam ao complexo fator plaquetário 4 (PF4) e heparina na superfície das plaquetas. Isso leva à ativação plaquetária e agregação, resultando em trombocitopenia por consumo e, paradoxalmente, um estado protrombótico com formação de trombos.

Qual a conduta imediata ao suspeitar de HIT tipo II?

Ao suspeitar de HIT tipo II, a heparina (incluindo heparinas de baixo peso molecular como enoxaparina) deve ser suspensa imediatamente. Deve-se iniciar um anticoagulante alternativo não heparínico, como argatroban, bivalirudina ou fondaparinux, para tratar a trombose e prevenir novos eventos trombóticos, mesmo antes da confirmação laboratorial.

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