UFRN/HUOL - Hospital Universitário Onofre Lopes - Natal (RN) — Prova 2020
Chega ao PS menina de 10 anos com epistaxe intensa e equimoses pelo corpo. Sua mãe refere que tudo deu inicio há 24 horas. Verificado o hemograma com hb 11 g/dl, leucócitos 5000/mm³ , plaquetas 15.000/mm³. Diante desse caso, o diagnóstico e a conduta terapêutica são, respectivamente,
Criança com epistaxe + equimoses + plaquetopenia isolada (<20.000) aguda → PTI; conduta inicial = Corticoide.
O quadro agudo de sangramento (epistaxe, equimoses) em criança com plaquetopenia isolada e grave (plaquetas < 20.000/mm³) é altamente sugestivo de Trombocitopenia Imune (PTI). A conduta inicial para PTI grave com sangramento é a administração de corticoides.
A Trombocitopenia Imune (PTI), anteriormente conhecida como Púrpura Trombocitopênica Idiopática, é uma doença autoimune caracterizada pela destruição acelerada de plaquetas e/ou produção plaquetária insuficiente, resultando em plaquetopenia. É a causa mais comum de plaquetopenia isolada em crianças, com pico de incidência entre 2 e 5 anos, mas pode ocorrer em qualquer idade. O quadro clínico típico envolve sangramentos mucocutâneos, como epistaxe, petéquias, equimoses e gengivorragia. O diagnóstico de PTI é de exclusão. No hemograma, observa-se plaquetopenia isolada, com as outras séries (hemoglobina e leucócitos) geralmente normais, como no caso apresentado. A medula óssea, se examinada, mostra megacariócitos normais ou aumentados. É crucial descartar outras causas de plaquetopenia, como infecções virais (HIV, hepatites), doenças autoimunes sistêmicas (LES), síndromes mielodisplásicas ou leucemias, embora estas geralmente apresentem outras citopenias ou alterações morfológicas. A conduta terapêutica na PTI depende da gravidade do sangramento e do número de plaquetas. Em crianças com plaquetas <20.000-30.000/mm³ e sangramento clinicamente significativo (como epistaxe intensa), a primeira linha de tratamento é a corticoterapia (prednisona oral ou metilprednisolona intravenosa), que atua modulando a resposta imune e diminuindo a destruição plaquetária. Imunoglobulina intravenosa (IVIG) é outra opção para casos de sangramento grave ou quando há contraindicação a corticoides. Concentrado de plaquetas é reservado para sangramentos com risco de vida, pois as plaquetas transfundidas são rapidamente destruídas.
O diagnóstico de PTI é de exclusão, baseado em plaquetopenia isolada (<100.000/mm³) em um paciente com exame físico normal (exceto por sangramentos) e ausência de outras causas de trombocitopenia.
O tratamento é indicado para crianças com sangramento clinicamente significativo (epistaxe intensa, equimoses extensas) ou plaquetas muito baixas (<20.000-30.000/mm³), mesmo sem sangramento ativo, para prevenir hemorragias graves.
A primeira linha de tratamento para PTI grave com sangramento ou alto risco é a corticoterapia (prednisona oral ou metilprednisolona IV), que age diminuindo a destruição plaquetária.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo