TECM Teórica - Prova Teórica de Clínica Médica — Prova 2024
Paciente de 58 anos, comparece ao serviço de pronto-socorro para avaliação de quadro de equimoses cutâneas e histórico recente de epistaxe e gengivorragia. Refere que tem diagnóstico de trombocitopenia imune e faz acompanhamento regular com Hematologista, sem necessidade de tratamento até então. Foi realizado hemograma na admissão que demonstrou contagem plaquetária de 18.000/mm², sem outras anormalidades. Diante do caso clinico supracitado, assinale a alternativa correta.
PTI → Tratar o paciente, não o número. Transfusão é reservada para sangramentos graves/risco de vida.
Na Trombocitopenia Imune (PTI), a destruição plaquetária é mediada por anticorpos periféricos, tornando a transfusão de plaquetas ineficaz e contraindicada, exceto em hemorragias catastróficas.
A Trombocitopenia Imune (PTI) é uma desordem autoimune caracterizada pela destruição prematura de plaquetas e produção medular insuficiente. O diagnóstico é de exclusão, baseado em plaquetopenia isolada sem outras citopenias ou causas secundárias evidentes. O manejo clínico é guiado pela sintomatologia hemorrágica e não apenas pelo valor absoluto das plaquetas. Em adultos, o tratamento é tipicamente iniciado quando a contagem cai abaixo de 30.000/mm³. As opções terapêuticas visam modular a resposta imune. A transfusão de plaquetas é tecnicamente ineficaz porque o sistema reticuloendotelial, ativado pelos anticorpos, removerá as plaquetas doadas tão rapidamente quanto as autólogas. Portanto, a conduta conservadora em relação à transfusão é fundamental para evitar riscos desnecessários ao paciente.
A transfusão de plaquetas na Trombocitopenia Imune (PTI) é uma medida de exceção, indicada apenas em casos de sangramento grave com risco de morte (como hemorragia intracraniana ou sangramento gastrointestinal maciço). Como a fisiopatologia da doença envolve a destruição periférica acelerada de plaquetas por autoanticorpos, as plaquetas transfundidas são rapidamente destruídas, oferecendo pouco benefício clínico e podendo até agravar o quadro imunológico em alguns contextos.
O tratamento inicial para pacientes com contagens plaquetárias significativamente baixas (geralmente < 20.000-30.000/mm³) e sangramento mucocutâneo envolve o uso de corticosteroides, como a prednisona (1 mg/kg/dia) ou pulsoterapia com dexametasona. A imunoglobulina intravenosa (IVIG) é utilizada quando se deseja uma elevação rápida da contagem plaquetária, como em preparações cirúrgicas ou sangramentos mais expressivos, mas não é necessária em todos os casos de sangramento leve.
A decisão de internar depende da presença de sangramentos ativos e do risco de complicações. Pacientes com 18.000 plaquetas e apenas sangramentos mucocutâneos leves (epistaxe controlada, gengivorragia) podem ser manejados com corticoterapia oral e acompanhamento ambulatorial rigoroso, desde que não apresentem fatores de risco adicionais ou sangramentos em órgãos nobres.
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