USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2024
Menina de 4 anos de idade foi encaminhada para serviço de urgência com história do epistaxe há algumas horas. Negava história prévia de sangramentos. Ao exame: bom estado geral, sem sangramento ativo nasal; presença de algumas petéquias em membros inferiores. Sem outros achados anormais ao exame clinico. Hemograma (contagem automatizada) desta paciento: Hemoglobina: 12,1 g/dL (VN: 10,8 a 15,6). Hematócrito: 38% (VN: 33,0 a 45,0).Leucócitos: 7.500/mm2 (VN: 5.000 a 13.000) Neutrófilos: 50%, 3750/mm3 (VN: 1.800 a 8.000). Eosinófilos: 3%, 225/mm2 (VN: 0 a 600). Linfócitos: 45,5%, 3520/mm2 (VN: 1.200 a 6.000). Plaquetas: 38.000/mm3 (VN: 200.000 a 400.000). Presença de megaplaquetas. Qual a conduta inicial mais adequada a ser tomada neste caso?
PTI em criança com plaquetas > 20.000-30.000/mm³ e sem sangramento grave → observação ambulatorial.
Em crianças com trombocitopenia imune primária (PTI) e contagem de plaquetas acima de 20.000-30.000/mm³, sem sangramento ativo grave, a conduta inicial é geralmente a observação ambulatorial, pois a maioria dos casos é autolimitada. A transfusão de plaquetas é reservada para sangramentos graves ou antes de procedimentos invasivos.
A Trombocitopenia Imune Primária (PTI), anteriormente conhecida como Púrpura Trombocitopênica Idiopática, é uma condição autoimune caracterizada pela destruição de plaquetas e/ou inibição de sua produção, resultando em trombocitopenia. Em crianças, a PTI é frequentemente aguda e autolimitada, com a maioria dos casos resolvendo-se espontaneamente em semanas a meses. O manejo da PTI em crianças depende da contagem de plaquetas e da presença de sangramento. Em pacientes com contagem de plaquetas acima de 20.000-30.000/mm³ e sangramento leve (como epistaxe e petéquias, sem sangramento mucoso grave ou visceral), a conduta inicial mais adequada é a observação ambulatorial com acompanhamento da contagem de plaquetas. A presença de megaplaquetas no hemograma é um achado comum na PTI, indicando uma tentativa da medula óssea de compensar a destruição periférica. Tratamentos como imunoglobulina humana intravenosa ou corticosteroides são geralmente reservados para sangramentos mais graves (ex: sangramento intracraniano, sangramento gastrointestinal significativo) ou contagens de plaquetas muito baixas (<10.000-20.000/mm³) com risco de sangramento. A transfusão de plaquetas é raramente indicada na PTI, exceto em situações de sangramento com risco de vida, pois as plaquetas transfundidas seriam rapidamente destruídas. O aspirado de medula óssea é reservado para casos atípicos ou refratários, para excluir outras causas de trombocitopenia.
O tratamento da PTI em crianças é indicado para sangramentos graves (ex: intracraniano) ou contagens de plaquetas muito baixas (<10.000-20.000/mm³) com risco significativo de sangramento, usando imunoglobulina ou corticosteroides.
Para trombocitopenia leve a moderada (plaquetas > 20.000-30.000/mm³) e sangramento cutâneo-mucoso leve (como petéquias e epistaxe), a conduta inicial é a observação ambulatorial, pois a maioria dos casos é autolimitada.
A transfusão de plaquetas é geralmente ineficaz na PTI sem sangramento grave, pois as plaquetas transfundidas são rapidamente destruídas pelos autoanticorpos. É reservada para situações de sangramento com risco de vida.
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