Trombocitopenia Imune Primária (PTI) em Pediatria

UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2025

Enunciado

A trombocitopenia imune primária, uma das patologias mais comuns dentre os distúrbios de coagulação adquirida, acomete crianças entre 1 e 6 anos de idade mais frequentemente. É INCORRETO AFIRMAR:

Alternativas

  1. A) Uma forma benigna da doença ocorre em 85% das crianças, com recuperação espontânea dos níveis plaquetários dentro de três meses, sem necessidade de tratamento.
  2. B) O principal mecanismo imune que resulta em sangramento deve-se à destruição precoce de plaquetas pelo reconhecimento do complexo de glicoproteínas plaquetárias ligadas a autoanticorpos da classe imunoglobulina G por receptores FC macrofágicos do sistema reticuloendotelial, em sua maioria do baço e do fígado.
  3. C) A trombocitopenia imune primária é um diagnóstico de exclusão em que a contagem plaquetária está abaixo de 100.000/mm³ e não há outra alteração no hemograma (série vermelha ou branca) ou outras causas associadas.
  4. D) A maioria das crianças apresenta uma forma benigna da doença e necessita de tratamento logo nos primeiros dias de evolução, pois raramente recuperam os níveis plaquetários antes de um ano do diagnostico.

Pérola Clínica

PTI na infância: 85% autolimitada. Conduta inicial costuma ser observação se plaquetas > 20.000 e sem sangramento.

Resumo-Chave

A PTI é um distúrbio autoimune onde anticorpos IgG marcam plaquetas para destruição esplênica; na pediatria, a maioria dos casos é aguda e de excelente prognóstico.

Contexto Educacional

A Trombocitopenia Imune Primária (PTI) é a causa mais comum de plaquetopenia isolada na infância, frequentemente precedida por uma infecção viral. O quadro clínico típico é de uma criança previamente hígida que desenvolve subitamente petéquias, equimoses e, por vezes, epistaxe. A contagem de plaquetas costuma estar abaixo de 20.000/mm³ no diagnóstico. A gestão atual enfatiza a 'observação cuidadosa' para casos leves, evitando os efeitos colaterais de corticoides ou imunoglobulinas. O tratamento é indicado quando há sangramento mucoso significativo ou fatores de risco hemorrágico. A cronicidade (duração > 12 meses) ocorre em apenas uma minoria dos casos pediátricos.

Perguntas Frequentes

Qual a fisiopatologia da PTI?

Ocorre a produção de autoanticorpos (IgG) contra glicoproteínas da membrana plaquetária (como GPIIb/IIIa). Essas plaquetas 'marcadas' são removidas prematuramente da circulação pelos macrófagos do baço e fígado.

Como é feito o diagnóstico de PTI?

É um diagnóstico de exclusão. Requer plaquetopenia isolada (< 100.000/mm³) em um paciente sem outras citopenias, sem blastos no sangue periférico e sem evidência de doenças sistêmicas ou infecções agudas.

Qual o prognóstico da PTI em crianças?

Excelente. Cerca de 80-85% das crianças apresentam a forma aguda, com remissão espontânea em até 3 a 6 meses, independentemente do tratamento instituído.

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