PTI na Infância: Manejo de Emergência e Conduta

PSU-GO - Processo Seletivo Unificado de Goiás — Prova 2025

Enunciado

A trombocitopenia imune primária (PTI) é um dos mais comuns distúrbios de coagulação adquiridos; o pico de idade ao diagnóstico é de 1 a 6 anos, afetando ambos os sexos. Neste contexto, diante de uma criança com PTI, deve-se saber que:

Alternativas

  1. A) Apenas uma minoria das crianças (menos de 10 %) apresentarão uma forma benigna da doença e não necessitarão de tratamento, com recuperação espontânea dos níveis plaquetários dentro de três meses.
  2. B) Em situações de emergência, como sangramentos graves ameaçadores à vida, é recomendada a imediata transfusão de plaquetas, seguida de alta dose de corticosteroides e imunoglobulina humana intravenosa.
  3. C) O principal indicador de internação, para vigilância de hemorragia intracraniana, é a contagem de plaquetas menor que 30.000/mm³; sendo ideal a alta quando a contagem de plaquetas estiver acima de 50.000/mm³.
  4. D) A hemorragia digestiva é a complicação mais frequente, principalmente quando a contagem de plaquetas é inferior a 20.000/mm³, sendo indicada a profilaxia com dieta protetora, antieméticos e protetores gástricos.

Pérola Clínica

PTI grave/emergência → Transfusão de plaquetas + Corticoide + IVIG.

Resumo-Chave

Na PTI pediátrica com sangramento grave, a conduta é agressiva com tríade terapêutica, apesar de a maioria dos casos ser autolimitada.

Contexto Educacional

A Trombocitopenia Imune Primária (PTI) é caracterizada por uma contagem de plaquetas isoladamente baixa (< 100.000/mm³) sem uma causa desencadeante identificável. Na pediatria, frequentemente segue uma infecção viral ou vacinação. A fisiopatologia envolve a produção de autoanticorpos IgG contra glicoproteínas da membrana plaquetária, levando à sua remoção prematura pelo baço. O tratamento é guiado pela gravidade do sangramento e não apenas pelo número de plaquetas. A maioria das crianças com contagens muito baixas, mas apenas sintomas cutâneos, pode ser manejada com vigilância. No entanto, quando ocorre sangramento de mucosas ou visceral, as opções de primeira linha incluem corticosteroides (prednisona ou dexametasona) e IVIG. Em casos refratários ou crônicos, podem ser considerados agonistas do receptor de trombopoetina, rituximabe ou esplenectomia.

Perguntas Frequentes

Quando transfundir plaquetas na PTI?

A transfusão de plaquetas na Trombocitopenia Imune Primária (PTI) é reservada exclusivamente para situações de emergência com sangramento grave e ameaçador à vida (ex: hemorragia intracraniana ou gastrointestinal maciça). Devido à natureza autoimune da doença, as plaquetas transfundidas são rapidamente destruídas, por isso a transfusão deve ser acompanhada de doses altas de corticoides e imunoglobulina intravenosa para tentar estabilizar a contagem.

Qual o papel da Imunoglobulina Intravenosa (IVIG)?

A IVIG atua bloqueando os receptores Fc nos macrófagos do sistema reticuloendotelial (principalmente no baço), impedindo a destruição das plaquetas sensibilizadas por autoanticorpos. É uma terapia de ação rápida, geralmente elevando a contagem de plaquetas em 24 a 48 horas, sendo ideal para situações onde se deseja um aumento célere dos níveis plaquetários, como antes de cirurgias ou em sangramentos ativos.

Qual o prognóstico da PTI infantil?

O prognóstico da PTI na infância é excelente. Cerca de 70% a 80% das crianças apresentam a forma aguda e autolimitada, com recuperação espontânea da contagem de plaquetas em até 6 meses, independentemente do tratamento. Apenas uma minoria evolui para a forma crônica (duração superior a 12 meses). O manejo inicial em casos leves (apenas petéquias e equimoses) costuma ser apenas observação, independentemente do valor absoluto de plaquetas.

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