Plaquetopenia Grave: Manejo da Trombocitopenia Imune Primária

UNITAU - Universidade de Taubaté (SP) — Prova 2023

Enunciado

Paciente de 28 anos, procura atendimento por manchas em membros inferiores há 1 dia e gengivorragia. Nega trauma local, nega alergias e patologias. Ao exame físico, nota-se apenas petéquias em membros. Hemograma inicial, de alteração, observou-se plaquetopenia de 7 mil/ mm³, que foi confirmada. Quanto ao caso, pode-se afirmar:

Alternativas

  1. A) O tratamento de escolha é imunoglobulina, em caso de Púrpura Trombocitopênica Trombótica.
  2. B) Devido à gengivorragia, deve-se transfundir plaquetas e iniciar Imunoglobulina.
  3. C) O tratamento de escolha é corticoterapia em dose imunossupressora, em caso de Tombocitopenia imune primária.
  4. D) O mais importante nesses casos é afastar outras patologias com provas reumatológicas completas e tomografias.
  5. E) A transfusão de plaquetas é contraindicada por piorar o quadro e plasmaferese deve ser considerada.

Pérola Clínica

Plaquetopenia grave (<10.000) com sangramento mucocutâneo → suspeitar PTI; 1ª linha = corticoterapia imunossupressora.

Resumo-Chave

Em um paciente jovem com plaquetopenia grave (<10.000/mm³) e sangramento mucocutâneo, a Trombocitopenia Imune Primária (PTI) é uma hipótese diagnóstica forte. O tratamento de primeira linha para PTI sintomática ou com plaquetas muito baixas é a corticoterapia em dose imunossupressora.

Contexto Educacional

A plaquetopenia grave, especialmente quando associada a manifestações hemorrágicas como petéquias e gengivorragia em um paciente jovem e previamente hígido, deve levantar a forte suspeita de Trombocitopenia Imune Primária (PTI). A PTI é uma doença autoimune caracterizada pela destruição acelerada de plaquetas e/ou produção inadequada de plaquetas, mediada por autoanticorpos. O diagnóstico é de exclusão, após afastar outras causas de plaquetopenia. A contagem de plaquetas de 7 mil/mm³ é extremamente baixa e indica alto risco de sangramento grave. Nesses casos, o tratamento de primeira linha é a corticoterapia em dose imunossupressora (ex: prednisona ou dexametasona), que visa reduzir a destruição plaquetária. A imunoglobulina intravenosa (IGIV) é outra opção de primeira linha, especialmente em situações de sangramento ativo ou necessidade de elevação rápida das plaquetas. É crucial evitar a transfusão de plaquetas de rotina na PTI, pois as plaquetas transfundidas seriam rapidamente destruídas. A transfusão é reservada para sangramentos com risco de vida. Diferenciar de Púrpura Trombocitopênica Trombótica (PTT), onde a plasmaferese é o tratamento de escolha e a transfusão de plaquetas é contraindicada, é fundamental. O manejo da PTI exige uma avaliação cuidadosa do risco de sangramento e uma abordagem terapêutica individualizada.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para Trombocitopenia Imune Primária (PTI)?

O diagnóstico de PTI é de exclusão, baseado em plaquetopenia isolada (<100.000/mm³) na ausência de outras causas de trombocitopenia. A medula óssea geralmente mostra megacariócitos normais ou aumentados.

Quando a transfusão de plaquetas é indicada na PTI?

A transfusão de plaquetas é geralmente reservada para sangramentos graves e com risco de vida, ou como medida pré-operatória emergencial, e deve ser acompanhada de terapia imunossupressora para tentar preservar as plaquetas transfundidas.

Quais são as opções de tratamento de segunda linha para PTI refratária?

As opções de segunda linha incluem esplenectomia, agonistas do receptor de trombopoetina (TPO-RAs) como eltrombopague e romiplostim, rituximabe e outros imunossupressores.

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