Trombocitopenia na Dengue: Fisiopatologia e Complicações

SES-RJ - Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro — Prova 2024

Enunciado

Considerando as complicações da dengue, assinale a alternativa correta.

Alternativas

  1. A) A encefalite é uma complicação rara da dengue, predominantemente associada ao sorotipo 4 do vírus, e manifesta-se por sintomas neurológicos focais.
  2. B) A síndrome do choque da dengue é caracterizada por hipotensão grave, mas a sua principal complicação é a insuficiência cardíaca congestiva.
  3. C) A hepatite fulminante é uma complicação rara, geralmente associada ao sorotipo 2 do vírus da dengue, e é caracterizada por níveis elevados de transaminases.
  4. D) A miocardite na dengue é uma complicação incomum, sendo mais frequentemente observada em pacientes com dengue grave, e manifesta-se por alterações eletrocardiográficas características.
  5. E) A trombocitopenia na dengue ocorre exclusivamente devido à destruição periférica das plaquetas, não estando relacionada a distúrbios de produção medular.

Pérola Clínica

Trombocitopenia na dengue: primariamente por destruição periférica de plaquetas.

Resumo-Chave

A trombocitopenia na dengue é um achado comum e multifatorial. Embora a destruição periférica de plaquetas seja um mecanismo importante, a disfunção da medula óssea e a supressão da megacariopoiese também contribuem para a plaquetopenia.

Contexto Educacional

A dengue é uma arbovirose de grande impacto na saúde pública, e a trombocitopenia é uma de suas manifestações laboratoriais mais características e um marcador de gravidade. A contagem de plaquetas geralmente começa a cair no período febril e atinge o nadir na fase crítica da doença. A fisiopatologia da trombocitopenia na dengue é complexa e multifatorial. Tradicionalmente, a destruição periférica de plaquetas era considerada o principal mecanismo, envolvendo a ativação do sistema complemento, a formação de imunocomplexos e a infecção de plaquetas e células endoteliais. No entanto, estudos mais recentes demonstraram que a supressão da medula óssea também desempenha um papel significativo. O vírus da dengue pode infectar diretamente células progenitoras hematopoéticas e megacariócitos na medula óssea, levando à disfunção e redução da produção de plaquetas. Além disso, a resposta inflamatória sistêmica e a liberação de citocinas também podem contribuir para a mielossupressão. Portanto, a trombocitopenia na dengue resulta de uma combinação de aumento da destruição periférica e diminuição da produção medular, sendo crucial monitorar a contagem de plaquetas para identificar pacientes em risco de sangramento grave.

Perguntas Frequentes

Qual a principal causa da trombocitopenia na dengue?

A trombocitopenia na dengue é multifatorial, envolvendo tanto o aumento da destruição periférica de plaquetas (por mecanismos imunológicos e não imunológicos) quanto a supressão da produção de plaquetas pela medula óssea.

Quando a trombocitopenia na dengue se torna preocupante?

Níveis plaquetários abaixo de 100.000/mm³ são comuns. Valores abaixo de 50.000/mm³ ou uma queda rápida são mais preocupantes, especialmente se associados a sinais de sangramento ou dengue grave.

Como a dengue afeta a medula óssea?

O vírus da dengue pode infectar células da medula óssea, incluindo megacariócitos e células estromais, levando à disfunção e supressão temporária da megacariopoiese, o que contribui para a redução da produção de plaquetas.

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