Tromboangeíte Obliterante: Diagnóstico e Sinais Chave

UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2025

Enunciado

Homem, 37a, procura Unidade Básica de Saúde queixando-se de pequena lesão muito dolorosa em queimação, na ponta do hálux direito que não cicatriza, há dois meses. Refere que nas últimas semanas não está conseguindo dormir, necessitando sentar-se na cama para ter algum alívio da dor, que melhora friccionando o pé com as mãos. Antecedentes: tabagismo=21 anos/maço; episódio de tromboflebite superficial da safena do membro inferior esquerdo há sete meses. Uso de medicamentos: apenas analgésicos. Exame físico: bom estado geral, emagrecido. Membros com fâneros preservados, com exceção dos pés onde não apresenta pelos e a pele é mais adelgaçada e brilhante. Eritema ao nível da falange distal de hálux direito. Pulsos: femorais e poplíteos presentes bilateralmente; pedioso e tibial posterior presentes à esquerda, ausentes à direita. O DIAGNÓSTICO ETIOLÓGICO É:

Alternativas

Pérola Clínica

Homem jovem tabagista com isquemia distal, dor noturna intensa e tromboflebite migratória → Tromboangeíte Obliterante (Doença de Buerger).

Resumo-Chave

A Tromboangeíte Obliterante (Doença de Buerger) é uma vasculite inflamatória não aterosclerótica que afeta pequenas e médias artérias e veias, predominantemente em tabagistas jovens. A dor isquêmica noturna e a tromboflebite superficial migratória são achados característicos.

Contexto Educacional

A Tromboangeíte Obliterante (TAO), também conhecida como Doença de Buerger, é uma vasculite inflamatória segmentar e não aterosclerótica que afeta pequenas e médias artérias e veias das extremidades. É quase exclusivamente associada ao tabagismo, sendo mais comum em homens jovens. A fisiopatologia exata não é totalmente compreendida, mas envolve uma resposta inflamatória e trombótica exacerbada ao tabaco em indivíduos geneticamente predispostos. O quadro clínico típico inclui claudicação intermitente, fenômeno de Raynaud, dor isquêmica em repouso (especialmente noturna, aliviada pela posição dependente ou fricção), úlceras tróficas ou gangrena nos dedos. Um achado característico é a tromboflebite superficial migratória. O exame físico revela ausência de pulsos distais, pele fria, pálida ou cianótica, e alterações tróficas. O diagnóstico é clínico, suportado por angiografia que mostra oclusões segmentares e vasos colaterais em "saca-rolhas", e pela exclusão de outras vasculopatias. O tratamento primordial é a cessação COMPLETA e permanente do tabagismo, que pode estabilizar ou até reverter a progressão da doença. Outras medidas incluem cuidados com as úlceras, analgesia, vasodilatadores e, em casos graves, simpatectomia ou amputação. O prognóstico está diretamente relacionado à capacidade do paciente de parar de fumar.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais critérios diagnósticos para a Doença de Buerger?

Os critérios incluem idade < 45 anos, história de tabagismo, isquemia distal de membros (claudicação, dor em repouso, úlceras), exclusão de outras causas de vasculite ou aterosclerose, e achados angiográficos típicos.

Qual a relação do tabagismo com a Tromboangeíte Obliterante?

O tabagismo é o fator etiológico mais importante e indispensável para o desenvolvimento e progressão da Doença de Buerger. A cessação completa do tabagismo é a única medida que pode alterar o curso da doença.

Quais são as manifestações clínicas da isquemia crítica de membro na Doença de Buerger?

Incluem dor em repouso (especialmente noturna, aliviada pela posição dependente), úlceras tróficas ou gangrena nos dedos dos pés ou mãos, e ausência de pulsos distais.

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