SMS-SP - Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo — Prova 2024
Assinale a alternativa que descreve a tromboangeíte obliterante ou doença de Buerger.
Doença de Buerger = Homem jovem + Tabagista + Isquemia distal + Vasculite não aterosclerótica.
É uma doença inflamatória oclusiva que afeta vasos de pequeno e médio calibre das extremidades, ocorrendo quase exclusivamente em fumantes e sem relação com placas de ateroma.
A Tromboangeíte Obliterante (TAO) é um diagnóstico diferencial crucial em pacientes jovens com isquemia de membros. A angiografia costuma mostrar oclusões segmentares distais com vasos colaterais em 'saca-rolhas' (corkscrew collaterals), embora esse achado não seja patognomônico. O manejo é desafiador, pois as opções de revascularização cirúrgica são limitadas pela natureza distal e inflamatória da doença. O foco terapêutico reside na cessação do tabagismo, cuidados locais com feridas para evitar infecções e, em casos selecionados, uso de análogos de prostaglandinas (como iloprost) para controle da dor isquêmica e cicatrização de úlceras.
Diferente da aterosclerose, que envolve a túnica íntima com deposição de lipídios e calcificação, a tromboangeíte obliterante é uma vasculite inflamatória segmentar. Ela se caracteriza por trombos altamente celulares com preservação da arquitetura da parede do vaso (lâmina elástica interna íntegra). Frequentemente, observa-se a presença de microabscessos de Shionoya dentro do trombo, cercados por células epitelioides e gigantes, afetando tanto artérias quanto veias e nervos adjacentes.
A Doença de Buerger acomete tipicamente pacientes jovens (menos de 45 anos), fumantes pesados, e inicia-se em vasos mais distais (artérias digitais, palmares, plantares, tibiais e radiais). Clinicamente, pode apresentar a tríade de claudicação de extremidades (pés/mãos), fenômeno de Raynaud e tromboflebite superficial migratória. A DAOP aterosclerótica costuma afetar pacientes mais velhos, com outros fatores de risco (HAS, dislipidemia) e envolve vasos de maior calibre como as artérias ilíacas e femorais.
O tabagismo é o fator etiológico e prognóstico central. A exposição ao tabaco (seja por cigarro, charuto ou fumo de mascar) desencadeia e mantém a resposta inflamatória vascular. A única intervenção que comprovadamente interrompe a progressão da doença e evita amputações é a cessação completa e definitiva do tabagismo. Mesmo o fumo passivo ou o uso de adesivos de nicotina podem impedir a remissão da doença, tornando a abstinência total o pilar absoluto do tratamento.
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