Trombectomia Mecânica no AVC Isquêmico: Indicações e Janelas

UESPI - Universidade Estadual do Piauí — Prova 2021

Enunciado

O Acidente Vascular Cerebral (AVC) isquêmico vem tendo mudanças importantes quanto ao tratamento da fase aguda, principalmente relacionado ao uso da trambectomia mecânica. Sobre a trombectomia mecânica no contexto de AVC isquêmico, assinale a alternativa CORRETA.

Alternativas

  1. A) A trombectomia mecânica agora deve ser priorizada em detrimento da trombólise endovenosa, independente do tempo de início do quadro clínico.
  2. B) A trombectomia mecânica só tem benefício, após a falha do trombolítico e respeitando o limite de 3 horas após o inicio do quadro clínico.
  3. C) A seleção de pacientes candidatos à trombectomia mecânica leva em consideração somente se há contraindicações ao trombolítico endovenoso.
  4. D) Aqueles pacientes que percebem o déficit neurológico, somente ao acordar, não foram avaliados nos grandes estudos sobre trombectomia mecânica e, portanto, não podem ser submetidos à trombectomia mecânica, independente dos achados da tomografia de crânio ou método com perfusão.
  5. E) Os benefícios da trombectomia mecânica se mostraram principalmente para pacientes com oclusão proximal da circulação anterior e até 6 horas do início do quadro clínico, embora haja estudos com benefícios para janelas de tempo até maiores.

Pérola Clínica

Trombectomia mecânica: benefício em oclusão proximal da circulação anterior, até 6h (ou mais com seleção por imagem).

Resumo-Chave

A trombectomia mecânica revolucionou o tratamento do AVC isquêmico agudo, sendo eficaz principalmente para oclusões de grandes vasos da circulação anterior. A janela terapêutica se estendeu além das 6 horas iniciais para pacientes selecionados por imagem, mesmo para aqueles com 'wake-up stroke', demonstrando a importância da avaliação individualizada.

Contexto Educacional

O Acidente Vascular Cerebral (AVC) isquêmico é uma das principais causas de morbimortalidade global. O tratamento da fase aguda evoluiu significativamente com a introdução da trombectomia mecânica, que consiste na remoção mecânica do trombo que oclui um vaso cerebral. Esta técnica é particularmente eficaz para oclusões proximais de grandes vasos da circulação anterior, onde a trombólise endovenosa pode ter eficácia limitada. Os grandes estudos clínicos (como MR CLEAN, ESCAPE, REVASCAT, EXTEND-IA, SWIFT PRIME) demonstraram o benefício da trombectomia mecânica em pacientes com oclusão de grandes vasos e dentro de uma janela de até 6 horas do início dos sintomas. Mais recentemente, estudos como DAWN e DEFUSE 3 expandiram essa janela para até 24 horas em pacientes selecionados por critérios de imagem avançada (TC de perfusão ou ressonância magnética), que identificam a presença de penumbra isquêmica (tecido cerebral ainda salvável). A trombectomia mecânica não substitui a trombólise endovenosa, mas é um tratamento complementar. Pacientes que chegam ao hospital dentro da janela para trombólise devem recebê-la, mesmo que sejam candidatos à trombectomia. A seleção de pacientes é rigorosa e envolve avaliação clínica e de imagem para maximizar os benefícios e minimizar os riscos. A rápida identificação e encaminhamento para centros especializados são cruciais para o sucesso do tratamento.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais critérios para indicação de trombectomia mecânica no AVC isquêmico?

Os critérios incluem oclusão de grande vaso na circulação anterior, déficit neurológico significativo (NIHSS elevado), e tempo de início dos sintomas dentro da janela terapêutica, que pode ser estendida com base em exames de imagem avançados (perfusão).

A trombectomia mecânica substitui a trombólise endovenosa com alteplase?

Não, a trombectomia mecânica é complementar à trombólise endovenosa. Pacientes elegíveis para trombólise devem recebê-la o mais rápido possível, mesmo que também sejam candidatos à trombectomia, pois o benefício é aditivo.

Como a imagem avançada (perfusão) influencia a decisão da trombectomia mecânica?

A imagem de perfusão (TC de perfusão ou RM) permite identificar a área de penumbra isquêmica, ou seja, tecido cerebral em risco, mas ainda viável. Isso é crucial para selecionar pacientes com janelas terapêuticas estendidas (até 24 horas em alguns casos), mesmo em 'wake-up stroke', onde o tempo exato do início dos sintomas é desconhecido.

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