CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2018
Assinale a alternativa que faça a correta coleção entre os conceitos abaixo e o diagnóstico: I - Mau direcionamento de cílios que nasceram na lamela anterior e estão tocando o globo. II - Cílios que nascem dos orifícios das glândulas meibomianas, direcionados contra a córnea. III - Inversão de toda a margem palpebral com cílios tocando a superfície ocular.
Triquíase = cílios mal direcionados; Distiquíase = cílios extras (Meibomius); Entrópio = margem invertida.
A diferenciação entre triquíase e distiquíase baseia-se na origem anatômica: a triquíase é um erro de direção de cílios normais, enquanto a distiquíase é o nascimento de cílios em local anômalo (glândulas de Meibomius).
O estudo das patologias da margem palpebral é essencial na oftalmologia e dermatologia. A margem palpebral é dividida pela 'linha cinzenta' em lamela anterior (pele e músculo orbicular) e lamela posterior (tarso e conjuntiva). A compreensão dessa anatomia permite distinguir se o problema é puramente dos cílios ou uma alteração estrutural da pálpebra. Na prática clínica, o diagnóstico é biomicroscópico. A triquíase exige a identificação de cílios saindo da posição correta mas com curvatura alterada. A distiquíase requer a visualização de cílios emergindo dos poros de Meibomius. O entrópio é diagnosticado pela observação da inversão da margem, que muitas vezes pode ser provocada pedindo ao paciente para fechar os olhos com força (entrópio espástico).
A triquíase caracteriza-se pelo mau direcionamento de cílios que se originam de seus folículos normais na lamela anterior da margem palpebral, mas que, por processos cicatriciais ou inflamatórios, passam a tocar o globo ocular. Já a distiquíase é a presença de uma fileira acessória de cílios que se originam de folículos anômalos localizados dentro ou próximos aos orifícios das glândulas de Meibomius, na lamela posterior. Enquanto a triquíase é frequentemente adquirida (blefarite, trauma), a distiquíase pode ser congênita ou adquirida por metaplasia das glândulas.
O entrópio é uma desordem posicional de toda a margem palpebral, que se inverte em direção ao globo ocular. Diferente da triquíase, onde a margem está em posição correta mas os cílios estão tortos, no entrópio a estrutura palpebral inteira gira para dentro, fazendo com que tanto a pele quanto os cílios entrem em contato com a córnea e conjuntiva. É comumente causado por frouxidão palpebral involucional (senil), espasmo do músculo orbicular ou processos cicatriciais da conjuntiva tarsal.
Todas essas condições resultam em atrito mecânico crônico contra a superfície ocular. Isso pode levar a ceratite ponteada superficial, erosões corneanas recorrentes, formação de pannus (neovascularização), ulceração corneana e, em casos graves e não tratados, perfuração ocular ou opacificação permanente com perda visual severa. O manejo varia desde a epilação mecânica e crioterapia até procedimentos cirúrgicos complexos para reposicionamento da margem ou reconstrução da lamela posterior.
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