Tricotilomania em Adolescentes: Diagnóstico e Manejo

HSL PUCRS - Hospital São Lucas da PUCRS (RS) — Prova 2022

Enunciado

Adolescente, 12 anos, encaminhada pela psicóloga de sua escola com queixa de arrancar os cabelos. Os pais contam que, sem nenhum desencadeante ambiental, há sete meses a menina começou a arrancar fios de cabelo, apresentando extensas áreas de alopecia em todo o couro cabeludo. A menina refere sentir uma necessidade urgente e incontrolável de arrancar os cabelos, seguida de alívio momentâneo. A mãe nota que ela arranca mais cabelos quando fica ansiosa por algum motivo. Também relata que a filha engole os pedacinhos da raíz dos cabelos, bem como aparenta escoriações próximas das unhas das mãos. Relaciona-se bem com seus amigos e, embora não deixe de frequentar a escola, fica mais isolada do que o habitual, pois incomoda-se com as perguntas a respeito de seu cabelo. Nega, porém, sintomas gastrintestinais. A família nega qualquer dificuldade de relacionamento em casa ou em outros contextos sociais. Em relação ao caso, qual é o transtorno mais provável?

Alternativas

  1. A) De escoriação
  2. B) Tricotilomania
  3. C) Dismórfico corporal
  4. D) Obsessivo-compulsivo

Pérola Clínica

Tricotilomania = arrancar cabelos + alívio + sofrimento/prejuízo.

Resumo-Chave

A tricotilomania é um transtorno do controle de impulsos caracterizado por arrancar repetidamente os próprios cabelos, resultando em perda capilar notável. É acompanhada por uma sensação de tensão crescente antes de arrancar e alívio após, causando sofrimento significativo ou prejuízo funcional.

Contexto Educacional

A tricotilomania é um transtorno do controle de impulsos que se manifesta pelo arrancar repetitivo dos próprios cabelos, resultando em perda capilar visível. É mais comum em adolescentes e mulheres, e frequentemente associada a sentimentos de tensão antes do ato e alívio após. O diagnóstico é clínico, baseado nos critérios do DSM-5, e é crucial diferenciar de outras causas de alopecia. A fisiopatologia não é completamente compreendida, mas envolve fatores genéticos, neurobiológicos e ambientais. Pacientes podem apresentar comorbidades psiquiátricas, como transtornos de ansiedade e depressão. A tricofagia, ou o hábito de engolir os cabelos, é uma complicação importante que pode levar à formação de tricobezoares e obstrução gastrointestinal, conhecida como Síndrome de Rapunzel. O manejo da tricotilomania é multidisciplinar, com a terapia cognitivo-comportamental (TCC), especialmente a terapia de reversão de hábitos, sendo a abordagem mais eficaz. Em alguns casos, a farmacoterapia com ISRS pode ser considerada, principalmente se houver comorbidades. O suporte psicológico e a educação do paciente e da família são fundamentais para o sucesso do tratamento e para melhorar a qualidade de vida.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais critérios diagnósticos para tricotilomania?

Os critérios incluem arrancar repetidamente os próprios cabelos, resultando em perda capilar notável, tentativas repetidas de diminuir ou parar o comportamento, e o comportamento causar sofrimento clinicamente significativo ou prejuízo no funcionamento social, ocupacional ou em outras áreas importantes.

Quais são as complicações da tricotilomania?

Além da perda capilar e do sofrimento psicossocial, a tricotilomania pode levar a infecções cutâneas, danos permanentes aos folículos pilosos e, em casos de tricofagia (engolir os cabelos), à formação de tricobezoares (Síndrome de Rapunzel) no trato gastrointestinal, que podem causar obstrução.

Como a tricotilomania é tratada?

O tratamento de primeira linha geralmente envolve terapia cognitivo-comportamental (TCC), especificamente a terapia de reversão de hábitos. Medicamentos como inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRS) podem ser úteis, especialmente se houver comorbidades como ansiedade ou depressão.

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