INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2015
Uma mulher de 27 anos de idade com vida sexual ativa, soropositiva para HIV, sem comprometimento atual da imunidade, comparece à consulta ginecológica relatando corrimento vaginal sem prurido, mas com sensação de disúria, ardor genital e mau cheiro. Ao exame físico constatou-se sinais clínicos de inflamação vulvar e vaginal, grande quantidade de conteúdo vaginal amarelado, com bolhas em sua superfície. As paredes da vagina e do colo uterino estão com sinais infl amatórios. A partir do quadro clínico descrito, qual a hipótese diagnóstica mais provável?
Corrimento amarelado + bolhas + inflamação cervical = Tricomoníase.
A tricomoníase é uma infecção sexualmente transmissível causada por um protozoário, caracterizada por intenso processo inflamatório e corrimento bolhoso, comum em pacientes com ISTs coexistentes.
A tricomoníase é a IST não viral mais comum no mundo. Sua presença aumenta o risco de transmissão e aquisição do HIV devido à quebra da barreira mucosa causada pela inflamação intensa. O quadro clínico descrito (corrimento amarelado, bolhas, disúria e inflamação) é patognomônico. Diferente da candidíase (prurido e aspecto de leite coalhado) ou da vaginose (ausência de inflamação), a tricomoníase exige tratamento sistêmico obrigatório para o casal.
Os sinais clássicos incluem corrimento vaginal abundante, de cor amarelada ou esverdeada, com aspecto bolhoso e odor fétido. Ao exame físico, observa-se hiperemia da mucosa vaginal e o 'colo em framboesa' (colpite macular), que são pequenas petéquias no colo uterino causadas pela reação inflamatória ao protozoário.
O padrão-ouro clínico é o exame a fresco do conteúdo vaginal, onde se observa o protozoário flagelado móvel (Trichomonas vaginalis) e um aumento de polimorfonucleares. O pH vaginal geralmente está elevado (> 4,5) e o teste das aminas (Whiff test) pode ser positivo, embora menos frequentemente que na vaginose bacteriana.
O tratamento de escolha é o Metronidazol (2g dose única ou 500mg 12/12h por 7 dias). Em pacientes HIV positivas, as diretrizes frequentemente recomendam o esquema de 7 dias devido a maiores taxas de falha com dose única. É mandatório tratar o parceiro sexual e rastrear outras ISTs.
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