Tricomoníase Vaginal: Diagnóstico e Achados Clínicos

MedEvo Simulado — Prova 2026

Enunciado

Letícia, 29 anos, comparece à consulta ginecológica com queixa de corrimento vaginal amarelado, abundante e com odor desagradável há 1 semana, que se intensificou após o último período menstrual. Relata prurido vulvar intenso e dor durante as relações sexuais. Ao exame físico, apresenta vulva discretamente eritematosa. A colposcopia e o exame especular revelaram o aspecto observado na imagem abaixo, com colo uterino apresentando pequenas pontuações hemorrágicas (colpite macular). O pH vaginal foi mensurado em 5,5. Com base no quadro clínico e na imagem, a principal hipótese diagnóstica e o achado esperado na microscopia a fresco são, respectivamente:

Alternativas

  1. A) Vaginose bacteriana e presença de células-alvo (clue cells).
  2. B) Candidíase vulvovaginal e presença de pseudo-hifas e esporos.
  3. C) Tricomoníase vaginal e presença de protozoários flagelados móveis.
  4. D) Cervicite mucopurulenta e presença de diplococos Gram-negativos intracelulares.

Pérola Clínica

Corrimento amarelado + pH > 4,5 + colo em framboesa → Tricomoníase (protozoários móveis).

Resumo-Chave

A tricomoníase é uma IST inflamatória caracterizada por pH vaginal alcalino e o sinal clássico do 'colo em morango', diagnosticada pela visualização de trofozoítos móveis no exame a fresco.

Contexto Educacional

A tricomoníase é causada pelo protozoário Trichomonas vaginalis e representa uma das ISTs não virais mais prevalentes. O quadro clínico envolve corrimento profuso, bolhoso, amarelo-esverdeado e odor fétido. O diagnóstico baseia-se na clínica, medida do pH vaginal (geralmente > 5,0) e microscopia a fresco, que possui alta especificidade mas sensibilidade variável. A presença de polimorfonucleares em grande quantidade é um marcador de inflamação, auxiliando na diferenciação com a vaginose bacteriana.

Perguntas Frequentes

Qual o tratamento de escolha para tricomoníase?

O tratamento padrão para a tricomoníase vaginal é o uso de nitroimidazólicos, sendo o Metronidazol a droga de escolha. A dose recomendada pelo Ministério da Saúde é de 2g por via oral em dose única, ou 500mg via oral de 12 em 12 horas por 7 dias. É fundamental tratar o parceiro sexual simultaneamente para evitar a reinfecção, já que a tricomoníase é uma Infecção Sexualmente Transmissível (IST). Durante o tratamento, a paciente deve evitar o consumo de álcool devido ao efeito antabuse (dissulfiram-like) causado pelo metronidazol.

Como diferenciar tricomoníase de vaginose bacteriana?

Embora ambas apresentem pH vaginal > 4,5, a tricomoníase é uma vaginite inflamatória com prurido, eritema vulvar e dispareunia, enquanto a vaginose bacteriana é uma disbiose não inflamatória. Na microscopia, a tricomoníase revela protozoários flagelados e aumento de polimorfonucleares; já a vaginose apresenta 'clue cells' e ausência de leucócitos. Clinicamente, o 'colo em framboesa' (colpite macular) é altamente sugestivo de tricomoníase e não ocorre na vaginose bacteriana.

O que é a colpite macular observada no exame?

A colpite macular, ou 'colo em framboesa', refere-se a pequenas pontuações hemorrágicas na mucosa vaginal e na ectocérvice. Esse achado resulta da intensa reação inflamatória e dilatação capilar causada pelo parasita Trichomonas vaginalis. Embora seja um sinal clássico, ele é identificado em apenas 2% a 5% dos casos no exame especular simples, sendo mais evidente na colposcopia. Sua presença é um forte indicativo clínico para o diagnóstico de tricomoníase.

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