Tricomoníase Vaginal: Diagnóstico e Tratamento com Metronidazol

UNIRG - Universidade de Gurupi (TO) — Prova 2022

Enunciado

Paciente feminino, 23 anos, procura atendimento médico por queixa de corrimento vaginal. Ele apresenta coloração amarelo-esverdeada, purulenta, é malcheiroso, com odor de peixe podre na hora da relação sexual, com prurido e dispareunia associada. Ao exame físico, apresentava hiperemia dos genitais externos e corrimento exteriorizando-se pela fenda vulgar. O pH vaginal era superior a 4,5 e o colo uterino apresentava “aspecto tigroide”.A respeito do caso, assinale a afirmativa correta.

Alternativas

  1. A) No exame de microscopia a fresco, poderemos visualizar protozoários móveis flagelados, e a cultura em meio Sabouraud será positiva.
  2. B) A vaginite não tratada pode progredir para uretrite ou cistite e deve só ser tratada em pacientes sintomáticos, sem foco terapêutico no parceiro sexual.
  3. C) A terapia vaginal é preferida em relação à por via oral, uma vez que os sintomas são localizados e o efeito de ação é mais rápido.
  4. D) Pacientes devem ser aconselhados a não consumir bebidas alcoólicas durante 24 horas após o tratamento com metronidazol, dada a possibilidade de reação dissulfiram-like.

Pérola Clínica

Tricomoníase: Corrimento amarelo-esverdeado, pH > 4,5, colo tigroide, protozoários móveis → Metronidazol (evitar álcool).

Resumo-Chave

O quadro clínico (corrimento amarelo-esverdeado, malcheiroso, odor de peixe, pH > 4,5, colo tigroide) é altamente sugestivo de tricomoníase. O tratamento com metronidazol exige a orientação de evitar álcool devido ao risco de reação dissulfiram-like.

Contexto Educacional

A tricomoníase vaginal é uma Infecção Sexualmente Transmissível (IST) comum, causada pelo protozoário flagelado *Trichomonas vaginalis*. Afeta principalmente mulheres, mas também pode infectar homens, muitas vezes de forma assintomática. Sua importância reside na alta prevalência, nos sintomas incômodos e no aumento do risco de outras ISTs, incluindo o HIV. O diagnóstico é fortemente sugerido pelo quadro clínico clássico: corrimento vaginal abundante, amarelo-esverdeado, espumoso e malcheiroso (odor de peixe), associado a prurido, dispareunia e hiperemia vulvovaginal. Ao exame especular, o "colo uterino em aspecto tigroide" ou "colo em framboesa" é patognomônico. O pH vaginal geralmente é superior a 4,5. A confirmação laboratorial é feita pela microscopia a fresco, que revela a presença de trofozoítos móveis flagelados. O tratamento de escolha é o metronidazol, administrado por via oral. É crucial orientar a paciente a evitar o consumo de bebidas alcoólicas durante o tratamento e por pelo menos 24-72 horas após a última dose, devido ao risco de uma reação dissulfiram-like. O tratamento do parceiro sexual é mandatório para prevenir a reinfecção e controlar a disseminação da IST, mesmo que assintomático. A terapia vaginal não é preferida, pois não trata infecções em outros locais (uretra, glândulas periuretrais) e não trata o parceiro.

Perguntas Frequentes

Quais são os achados clínicos e laboratoriais sugestivos de tricomoníase?

Clinicamente, corrimento vaginal amarelo-esverdeado, espumoso, malcheiroso ("odor de peixe podre"), prurido e dispareunia. Ao exame, hiperemia vaginal e colo uterino com "aspecto tigroide" (colpite em framboesa). Laboratorialmente, pH vaginal > 4,5 e visualização de protozoários móveis flagelados na microscopia a fresco.

Por que o metronidazol é o tratamento de escolha para tricomoníase?

O metronidazol é um nitroimidazol com excelente atividade contra Trichomonas vaginalis. É eficaz tanto na dose única quanto em esquemas de 7 dias, erradicando o parasita e aliviando os sintomas.

Qual a importância de evitar bebidas alcoólicas durante o tratamento com metronidazol?

O metronidazol pode inibir a aldeído desidrogenase, levando ao acúmulo de acetaldeído se álcool for consumido. Isso causa uma reação dissulfiram-like, com sintomas como náuseas, vômitos, rubor, taquicardia e hipotensão, que podem ser graves.

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