Tricomoníase Vaginal: Diagnóstico e Tratamento Essencial

UFPR/HC - Complexo Hospital de Clínicas da UFPR (PR) — Prova 2020

Enunciado

Paciente de 23 anos, sexarca aos 18 anos, com um parceiro sexual, utiliza anticoncepcional hormonal oral. Refere último coito há 2 semanas. Vem à consulta no Pronto Atendimento de Ginecologia queixando-se de corrimento amarelo, fétido, às vezes esverdeado, em média quantidade, tendo iniciado há 2 dias. Nuligesta, nega comorbidades. Ao exame ginecológico: edema e hiperemia vulvar discreta, vagina com hiperemia difusa, conteúdo vaginal amarelo-esverdeado e colo com hiperemia. Junção escamo colunar -2. Qual a impressão diagnóstica e a conduta, respectivamente?

Alternativas

  1. A) Chlamydia Trachomatis – azitromicina 1 grama via oral, dose única.
  2. B) Gardnerella Vaginalis – metronidazol 250 mg dois comprimidos via oral de 8 em 8 horas por 7 dias.
  3. C) Trichomonas Vaginalis – metronidazol 250 mg dois comprimidos via oral de 12 em 12 horas por 7 dias.
  4. D) Candidiase vaginal – fluconazol 150 mg, dose única.
  5. E) Neiserria Gonorrhoeae – ceftriaxona 500 mg Intramuscular, dose única.

Pérola Clínica

Corrimento amarelo-esverdeado, fétido, com hiperemia vaginal/cervical → Tricomoníase. Tratamento: Metronidazol oral.

Resumo-Chave

O quadro clássico de corrimento vaginal abundante, amarelo-esverdeado, fétido, associado a hiperemia vulvovaginal e cervical (colo em framboesa, embora não descrito explicitamente, é comum) é altamente sugestivo de tricomoníase. O tratamento de escolha é o metronidazol oral, com esquema de dose única ou por 7 dias.

Contexto Educacional

A tricomoníase vaginal é uma infecção sexualmente transmissível (IST) causada pelo protozoário Trichomonas vaginalis, sendo uma das ISTs não virais mais comuns globalmente. Sua importância clínica reside não apenas nos sintomas incômodos que causa, mas também por aumentar o risco de outras ISTs (incluindo HIV), complicações na gravidez e doença inflamatória pélvica. A fisiopatologia envolve a colonização do trato geniturinário feminino e masculino pelo T. vaginalis, que se adere às células epiteliais e causa inflamação. O diagnóstico é suspeitado pelo quadro clínico de corrimento vaginal abundante, amarelo-esverdeado, espumoso e fétido, associado a prurido, disúria e dispareunia. O exame ginecológico pode revelar hiperemia vulvovaginal e o característico "colo em framboesa". A confirmação laboratorial é feita pela visualização do protozoário móvel ao microscópio em exame a fresco do corrimento vaginal. O tratamento de escolha é o metronidazol oral, que pode ser administrado em dose única (2g) ou em esquema de 7 dias (250mg 2x/dia ou 500mg 2x/dia). É fundamental tratar o(s) parceiro(s) sexual(is) simultaneamente para evitar a reinfecção e controlar a disseminação da doença. Aconselhamento sobre práticas sexuais seguras e rastreamento para outras ISTs também são componentes importantes do manejo.

Perguntas Frequentes

Quais são os sintomas clássicos da tricomoníase vaginal?

Os sintomas clássicos incluem corrimento vaginal abundante, amarelo-esverdeado, espumoso e fétido, prurido vulvovaginal, disúria e dispareunia. Ao exame, pode-se observar hiperemia vulvovaginal e o "colo em framboesa" (pontilhado hemorrágico no colo uterino).

Qual o tratamento de escolha para a tricomoníase e por que o parceiro deve ser tratado?

O tratamento de escolha é o metronidazol oral, em dose única (2g) ou por 7 dias (250mg 2x/dia ou 500mg 2x/dia). O parceiro sexual também deve ser tratado simultaneamente, mesmo que assintomático, para prevenir a reinfecção e interromper a cadeia de transmissão, já que a tricomoníase é uma DST.

Como diferenciar a tricomoníase de outras causas comuns de corrimento vaginal?

A tricomoníase se diferencia pelo corrimento amarelo-esverdeado, espumoso e fétido, com sinais inflamatórios evidentes. A vaginose bacteriana tem corrimento acinzentado, odor de peixe e ausência de inflamação. A candidíase apresenta corrimento branco, grumoso ("leite coalhado") e intenso prurido, com eritema.

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