Tricomoníase: Diagnóstico, Quadro Clínico e Conduta Terapêutica

Hospital Unimed-Rio (RJ) — Prova 2020

Enunciado

Jovem, 15 anos de idade, nuligesta, deseja iniciar vida sexual. Vem para consulta solicitando orientação anticoncepcional. Refere ciclos regulares, com duração de 28-30 dias, com sangramento de duração de 4 dias. Nega antecedente pessoal ou familiar de trombose ou tabagismo. Refere enxaqueca com aura. Ao exame clínico: palpação abdominal sem alterações, inspeção vulvar dentro da normalidade. Seis meses após a primeira consulta, a paciente retorna após coitarca. Refere amenorreia, 3 meses após definição de anticoncepcional. Por ter relacionamento que considera sério, não faz uso de preservativos. Refere queixa de leucorreia amarelada de odor fétido, prurido vaginal e dispareunia. Ao exame especular: presença de leucorreia amarelada acompanhada de pequenas bolhas. Paredes vaginais e ectocérvice hiperemiados. Qual é a conduta adequada?

Alternativas

  1. A) Miconazol, coleta de sorologias, referenciar o parceiro para tratamento.
  2. B) Metronidazol, coleta de sorologias, orientar tratamento para o parceiro sexual.
  3. C) Anfotericina B, coleta de citopatológico, referenciar o parceiro para tratamento.
  4. D) Fluconazol, coleta de sorologias, orientar o parceiro sexual para tratamento.

Pérola Clínica

Corrimento bolhoso + colo em framboesa = Tricomoníase → Metronidazol + tratar parceiro.

Resumo-Chave

A tricomoníase é uma IST que exige tratamento sistêmico da paciente e do parceiro, caracterizada por pH vaginal > 4,5 e presença de protozoários móveis.

Contexto Educacional

A tricomoníase é causada pelo protozoário flagelado Trichomonas vaginalis. É a IST não viral mais comum no mundo. O diagnóstico clínico é reforçado pelo pH vaginal elevado (> 4,5) e pela visualização de protozoários móveis no exame a fresco. O manejo adequado inclui não apenas a prescrição de antibióticos, mas o rastreio completo de outras ISTs (HIV, Sífilis, Hepatites) e a notificação/tratamento dos parceiros sexuais dos últimos 60 dias. No caso clínico apresentado, a paciente também possui contraindicação absoluta ao uso de estrogênios (enxaqueca com aura), o que deve guiar a futura orientação contraceptiva.

Perguntas Frequentes

Quais os achados clássicos da tricomoníase no exame físico?

Os achados patognomônicos incluem o conteúdo vaginal amarelo-esverdeado, bolhoso e fétido, além da hiperemia da mucosa vaginal e do ectocérvice. No exame especular, pode-se observar petéquias conhecidas como 'colo em framboesa' ou 'colpite focal', que se tornam mais evidentes após aplicação de lugol (teste de Schiller tigroide).

Por que é obrigatório tratar o parceiro na tricomoníase?

Diferente da candidíase ou vaginose, a Trichomonas vaginalis é considerada estritamente uma infecção sexualmente transmissível (IST). O tratamento do parceiro é essencial para prevenir a reinfecção da paciente e interromper a cadeia de transmissão, mesmo que o parceiro esteja assintomático, o que é comum em homens.

Qual o tratamento de escolha para tricomoníase?

O tratamento padrão é feito com nitroimidazólicos por via oral. O Metronidazol (2g em dose única ou 500mg de 12/12h por 7 dias) é a droga de escolha. É fundamental orientar a abstinência de álcool durante e até 24-48h após o tratamento devido ao efeito antabuse (dissulfiram).

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