UERJ/HUPE - Hospital Universitário Pedro Ernesto (RJ) — Prova 2015
Há três meses, Valéria, 35 anos, migrou de Ipojuca – CE para o Rio de Janeiro – RJ junto com seus dois filhos (três e cinco anos), para morar com seu marido Pedro, 45 anos, que veio há dois anos, trabalhar na construção civil da capital fluminense. Ela procurou espontaneamente uma médica de família, queixando-se de disúria, prurido vaginal intenso, dispareunia e corrimento vaginal. O exame especular evidenciou secreção vaginal amarelo-esverdeada bolhosa e fétida. Indique o provável agente etiológico causador da vulvovaginite em Valéria.
Corrimento amarelo-esverdeado bolhoso + colo em framboesa = Trichomonas vaginalis.
A tricomoníase é uma IST causada por um protozoário flagelado, caracterizada por pH vaginal > 4,5 e teste do KOH (Whiff test) frequentemente positivo.
A tricomoníase é uma das infecções sexualmente transmissíveis (IST) não virais mais comuns no mundo. O agente causador, Trichomonas vaginalis, é um protozoário anaeróbio que infecta o epitélio escamoso do trato genital inferior. Clinicamente, manifesta-se com corrimento fétido, prurido e dispareunia, mas pode ser assintomática em até 50% das mulheres. O sinal do 'colo em framboesa' (colpite focal) é patognomônico, embora presente em apenas uma minoria dos casos. O diagnóstico diferencial com vaginose bacteriana e candidíase é essencial, baseando-se no pH vaginal, teste das aminas e microscopia. O tratamento deve sempre incluir o parceiro para quebrar a cadeia de transmissão.
O tratamento padrão-ouro é o Metronidazol, preferencialmente em dose única de 2g por via oral ou 500mg de 12/12h por 7 dias. É fundamental tratar o parceiro sexual simultaneamente para evitar a reinfecção, mesmo que ele esteja assintomático, e orientar a abstinência alcoólica devido ao efeito antabuse do medicamento.
Na tricomoníase, o corrimento é amarelo-esverdeado, bolhoso e há sinais inflamatórios intensos (prurido, eritema, colo em framboesa). Na vaginose bacteriana, o corrimento é branco-acinzentado, homogêneo, com odor fétido (peixe podre) e há ausência de sinais inflamatórios na mucosa vaginal.
O diagnóstico é confirmado pela visualização de protozoários flagelados móveis (trofozoítos) no exame a fresco da secreção vaginal. Além disso, observa-se um aumento significativo de polimorfonucleares e um pH vaginal tipicamente superior a 4,5, indicando perda da acidez fisiológica.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo