Corrimento Vaginal: Diagnóstico de Tricomoníase

USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2024

Enunciado

Paciente, 36 anos, queixa-se de corrimento vaginal e sensação de ardência vaginal há 10 dias, com odor desagradável e piora após relação sexual. Nega comorbidades ou uso de medicamentos. Nuligesta, refere uso de DIU de cobre há 3 anos. Parceiro sexual único há 12 meses. Exame ginecológico: especular com conteúdo vaginal branco-acinzentado, em grande quantidade, bolhoso e com odor pronunciado, colo epitalizado, apresentado a seguir.Toque vaginal: útero em anteversoflexão, volume habitual, móvel, indolor à mobilização, ausência de massas anexiais. Realizou-se o exame bacterioscópico. Assinale qual o achado compatível com a principal hipótese diagnóstica.

Alternativas

  1. A) https://bxedpdmgvgatjdfxgxij.supabase.co/storage/v1/object/public/questoes/revalida/2024/alternativas/paciente-36-anos-queixa-se-de-corrimento-vaginal-e-sensacao-alternativa-0.webp
  2. B) https://bxedpdmgvgatjdfxgxij.supabase.co/storage/v1/object/public/questoes/revalida/2024/alternativas/paciente-36-anos-queixa-se-de-corrimento-vaginal-e-sensacao-alternativa-1.webp
  3. C) https://bxedpdmgvgatjdfxgxij.supabase.co/storage/v1/object/public/questoes/revalida/2024/alternativas/paciente-36-anos-queixa-se-de-corrimento-vaginal-e-sensacao-alternativa-2.webp
  4. D) https://bxedpdmgvgatjdfxgxij.supabase.co/storage/v1/object/public/questoes/revalida/2024/alternativas/paciente-36-anos-queixa-se-de-corrimento-vaginal-e-sensacao-alternativa-3.webp

Pérola Clínica

Corrimento branco-acinzentado, bolhoso, com odor fétido pós-coito → Tricomoníase (ou Vaginose Bacteriana).

Resumo-Chave

O quadro clínico de corrimento vaginal branco-acinzentado, bolhoso, com odor desagradável (especialmente após relação sexual) e ardência vaginal é altamente sugestivo de Tricomoníase ou Vaginose Bacteriana. A descrição 'bolhoso' é um forte indicativo de Tricomoníase. O exame bacterioscópico (microscopia a fresco) é fundamental para diferenciar essas condições, buscando por Trichomonas vaginalis móveis ou células-chave.

Contexto Educacional

O corrimento vaginal é uma queixa ginecológica extremamente comum, e sua avaliação requer uma abordagem sistemática para identificar a etiologia correta e instituir o tratamento adequado. Para residentes, é fundamental dominar o diagnóstico diferencial das vaginites, que incluem vaginose bacteriana, candidíase vulvovaginal e tricomoníase. A tricomoníase, causada pelo protozoário Trichomonas vaginalis, é uma infecção sexualmente transmissível (IST) que pode levar a sintomas incômodos e complicações se não tratada. O quadro clínico da tricomoníase é bastante característico, como descrito no caso: corrimento vaginal branco-acinzentado, abundante, bolhoso e com odor fétido, que piora após a relação sexual (devido à alcalinização do pH pelo sêmen, liberando aminas voláteis). A ardência vaginal e o prurido são também sintomas frequentes. O exame especular pode revelar um colo uterino com aspecto de 'colo em framboesa' (pontilhado avermelhado), embora não seja um achado constante. A presença de um DIU de cobre não aumenta o risco de tricomoníase, mas a infecção pode ocorrer independentemente do método contraceptivo. O diagnóstico definitivo da tricomoníase é feito pela microscopia a fresco do corrimento vaginal, onde se visualiza o Trichomonas vaginalis, um protozoário móvel e flagelado. O pH vaginal geralmente é >4,5. O tratamento é simples e eficaz com metronidazol, e é imperativo tratar todos os parceiros sexuais para prevenir a reinfecção. Residentes devem estar aptos a realizar a microscopia a fresco e a interpretar seus achados, além de orientar sobre a importância do tratamento do parceiro e da prevenção de ISTs.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sintomas da Tricomoníase?

Os principais sintomas incluem corrimento vaginal abundante, geralmente amarelo-esverdeado, espumoso ou bolhoso, com odor fétido (pior após o coito), prurido, ardência e disúria. Pode haver também dor pélvica e dispareunia.

Como é feito o diagnóstico laboratorial da Tricomoníase?

O diagnóstico é feito principalmente pela microscopia a fresco do corrimento vaginal, onde se observa o parasita Trichomonas vaginalis móvel e flagelado, além de leucócitos. O pH vaginal geralmente é elevado (>4,5). Testes moleculares (NAAT) são mais sensíveis, mas a microscopia é amplamente utilizada.

Qual o tratamento recomendado para a Tricomoníase?

O tratamento de escolha é o Metronidazol, em dose única oral (2g) ou por 7 dias (500mg, 2x/dia). É fundamental tratar também o(s) parceiro(s) sexual(is) para evitar a reinfecção e a disseminação da infecção.

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