PUC-PR Saúde - Pontifícia Universidade Católica do Paraná — Prova 2019
Maria Joaquina tem 25 anos e procura atendimento na Unidade de Saúde próxima de sua casa, pois teve algumas relações sexuais desprotegidas. Por algumas vezes ela procurou consulta para orientações, mas não conseguiu vaga. Hoje, queixa-se de início há alguns dias de prurido vaginal e dispareunia. Ao exame ginecológico: inspeção normal; exame especular com secreção amarelo, bolhosa e fétida, parede vaginal eritematosa e colo friável; toque vaginal apenas desconfortável. Sobre o caso clínico apresentado, considerando o atendimento ampliado a Maria, assinale CERTO para verdadeiro e ERRADO para falso para a afirmação a seguir: O diagnóstico é de uma vulvovaginite por Gardnerella vaginalis, que deve ser tratada com metronidazol 500mg 12h/12h por 7 dias.
Corrimento amarelo-esverdeado bolhoso + Colo em framboesa = Tricomoníase.
A tricomoníase é uma IST inflamatória que apresenta corrimento bolhoso e colo friável, diferenciando-se da vaginose bacteriana pela presença de sinais flogísticos e necessidade de tratar o parceiro.
A tricomoníase é uma das infecções sexualmente transmissíveis não virais mais comuns no mundo, causada pelo protozoário Trichomonas vaginalis. Clinicamente, manifesta-se com prurido vulvar, dispareunia e um corrimento vaginal característico: abundante, bolhoso e de coloração amarelo-esverdeada. O diagnóstico padrão-ouro é a visualização do protozoário móvel em exame a fresco, embora a sensibilidade seja moderada (60-70%), tornando os testes de amplificação de ácidos nucleicos (NAAT) preferíveis quando disponíveis. Fisiopatologicamente, o parasita adere ao epitélio escamoso, causando descamação e uma resposta inflamatória exsudativa. A presença de colite macular é um marcador de gravidade inflamatória. É crucial que o médico residente realize o rastreio de outras ISTs (HIV, Sífilis, Hepatites) em pacientes com diagnóstico de tricomoníase, dada a quebra da barreira mucosa que facilita a coinfecção. O manejo adequado interrompe a cadeia de transmissão e previne complicações como a doença inflamatória pélvica e desfechos gestacionais adversos.
A diferenciação clínica é fundamental. A tricomoníase apresenta um corrimento tipicamente amarelo-esverdeado, bolhoso e fétido, acompanhado de sinais inflamatórios nítidos na mucosa vaginal e cervical, como o clássico 'colo em framboesa' ou colite macular. O pH vaginal costuma estar acima de 4,5. Já a vaginose bacteriana, causada principalmente pela Gardnerella vaginalis, apresenta um corrimento branco-acinzentado, fino e homogêneo, com odor de peixe podre (acentuado pelo teste do KOH), mas sem qualquer sinal de inflamação (eritema ou edema) na parede vaginal ou no colo uterino, sendo uma disbiose e não uma vaginite propriamente dita.
O tratamento de primeira linha para a tricomoníase é realizado com nitroimidazólicos. A recomendação atual do Ministério da Saúde e do CDC é o Metronidazol 2g por via oral em dose única, ou como alternativa, 500mg de 12/12h por 7 dias. Diferente da vaginose bacteriana, a tricomoníase é uma Infecção Sexualmente Transmissível (IST), o que torna o tratamento do parceiro sexual obrigatório, mesmo que este seja assintomático, para evitar a reinfecção da paciente. Além disso, deve-se orientar a abstinência de álcool durante e até 24-48 horas após o tratamento devido ao efeito antabuse (dissulfiram).
O sinal do 'colo em framboesa', tecnicamente chamado de colite macular, refere-se à presença de múltiplas petéquias e micro-hemorragias na superfície do colo uterino e, por vezes, nas paredes vaginais. Esse achado é resultante da intensa reação inflamatória e quimiotaxia causada pelo protozoário flagelado Trichomonas vaginalis. Embora seja um achado altamente sugestivo e patognomônico da tricomoníase, ele é visível a olho nu em apenas cerca de 2% a 5% dos casos, sendo mais frequentemente identificado através da colposcopia (teste de Schiller tigroide). Sua presença confirma a necessidade de tratamento para IST.
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