Tricomoníase: Diagnóstico, Tratamento e Manejo do Parceiro

SMS Curitiba - Secretaria Municipal de Saúde de Curitiba (PR) — Prova 2023

Enunciado

Paciente sexo feminino, 26 anos, vem em consulta com queixa de corrimento vaginal de início há 1 semana. Refere ser de coloração amarelada e abundante, associado a prurido vaginal intenso. Há 3 dias teve quadro de dispareunia. Nunca teve quadro anteriormente. Refere uso regular de anticoncepcional, menstruações regulares. G1P1C0A0, relação sexual ativa com parceiro fixo sem uso de preservativo. Ao exame especular nota-se colo uterino com petéquias (colo em framboesa) com secreção amareloesverdeada em grande quantidade, bolhosa e fétida. Teste KOH negativo. Analisando o caso clínico, qual provável diagnóstico e tratamento?

Alternativas

  1. A) Vaginose bacteriana – metronidazol 500 mg de 12/12 h por 7 dias, necessidade de tratar parceiro por ser uma doença sexualmente transmissível.
  2. B) Tricomoníase - metronidazol 500 mg de 12/12 h por 7 dias, necessidade de tratar parceiro por ser uma doença sexualmente transmissível.
  3. C) Vaginose bacteriana – metronidazol 500 mg de 12/12 h por 7 dias, sem necessidade de tratar parceiro por não ser considerado uma doença sexualmente transmissível.
  4. D) Tricomoníase - metronidazol 500 mg de 12/12 h por 7 dias, sem necessidade de tratar parceiro por não ser considerado uma doença sexualmente transmissível.

Pérola Clínica

Corrimento amarelo-esverdeado, bolhoso, fétido + colo em framboesa + dispareunia = Tricomoníase. Tratamento: Metronidazol + tratar parceiro.

Resumo-Chave

O quadro clínico de corrimento amarelo-esverdeado, bolhoso, fétido, prurido intenso, dispareunia e o clássico "colo em framboesa" são altamente sugestivos de tricomoníase. Sendo uma DST, o tratamento do parceiro é mandatório para evitar reinfecção e controlar a transmissão.

Contexto Educacional

A tricomoníase é uma infecção sexualmente transmissível (IST) causada pelo protozoário Trichomonas vaginalis, sendo uma das ISTs não virais mais comuns globalmente. Afeta principalmente mulheres, mas homens também podem ser portadores assintomáticos ou apresentar uretrite. A infecção pode aumentar o risco de outras ISTs, incluindo o HIV, e está associada a complicações na gravidez, como parto prematuro e baixo peso ao nascer. O diagnóstico da tricomoníase é fortemente sugerido pelo quadro clínico característico: corrimento vaginal abundante, amarelo-esverdeado, bolhoso e com odor fétido, associado a prurido intenso, dispareunia e, em alguns casos, disúria. Ao exame especular, o achado de "colo em framboesa" (colo uterino com petéquias) é patognomônico. O diagnóstico laboratorial é confirmado pela visualização de protozoários móveis no exame a fresco do corrimento vaginal ou por testes moleculares mais sensíveis. O teste de KOH, que busca hifas fúngicas, é negativo, diferenciando-a da candidíase. O tratamento de escolha para a tricomoníase é o metronidazol, administrado por via oral. É fundamental que o tratamento seja estendido a todos os parceiros sexuais da paciente, mesmo que assintomáticos, para prevenir a reinfecção e interromper a cadeia de transmissão da IST. A abstinência sexual deve ser recomendada durante o período de tratamento.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas clássicos da tricomoníase?

Os sinais e sintomas clássicos da tricomoníase incluem corrimento vaginal abundante, amarelo-esverdeado, bolhoso e fétido, prurido vulvovaginal intenso, dispareunia, disúria e, ao exame especular, o característico "colo em framboesa" (colo uterino com petéquias).

Por que o tratamento do parceiro é essencial na tricomoníase?

O tratamento do parceiro sexual é essencial na tricomoníase porque é uma doença sexualmente transmissível (DST). Se o parceiro não for tratado, ele pode retransmitir a infecção para a paciente, levando a falha terapêutica e recorrência dos sintomas, além de perpetuar a cadeia de transmissão na comunidade.

Qual o tratamento de primeira linha para tricomoníase?

O tratamento de primeira linha para tricomoníase é o metronidazol. Pode ser administrado em dose única (2g oral) ou em esquema de 500 mg oral, 2 vezes ao dia, por 7 dias. É crucial orientar a abstinência sexual durante o tratamento e tratar todos os parceiros sexuais.

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