Tricomoníase Vaginal: Diagnóstico Clínico e Laboratorial

HFA - Hospital das Forças Armadas (DF) — Prova 2020

Enunciado

Uma paciente de 26 anos de idade, previamente hígida, compareceu à consulta ginecológica com queixa de que, há uma semana, vem apresentando secreção vaginal amarelo-esverdeada, abundante, bolhosa, com cheiro ruim e associada à disúria e dispareunia. Informa relações sexuais desprotegidas com parceiro novo há duas semanas. Com base nesse caso hipotético, julgue o item a seguir. Ao exame da secreção vaginal apresentada pela paciente, pode ser encontrado protozoário móvel e pH elevado.

Alternativas

  1. A) Certo.
  2. B) Errado.

Pérola Clínica

Corrimento bolhoso + pH > 4,5 + protozoário móvel → Tricomoníase.

Resumo-Chave

A tricomoníase é uma IST que altera o microambiente vaginal, elevando o pH e produzindo um exsudato purulento e bolhoso característico.

Contexto Educacional

A tricomoníase é causada pelo protozoário Trichomonas vaginalis, que infecta o epitélio escamoso do trato urogenital. A infecção promove uma resposta inflamatória com recrutamento de polimorfonucleares, resultando no aspecto purulento e bolhoso (pela fermentação de carboidratos). O 'colo em framboesa' (colpite focal) é um sinal clássico, mas presente em apenas uma minoria dos casos. O manejo clínico deve sempre incluir o rastreio de outras ISTs, como HIV e sífilis, devido à quebra da barreira mucosa.

Perguntas Frequentes

Como é feito o diagnóstico laboratorial da tricomoníase?

O padrão-ouro clínico é o exame a fresco da secreção vaginal, onde se observa o protozoário flagelado (Trichomonas vaginalis) apresentando motilidade característica. Além disso, o pH vaginal costuma estar elevado (> 4,5) e o teste do KOH (Whiff test) pode ser positivo em alguns casos devido à coinfecção com anaeróbios. A citologia oncótica tem baixa sensibilidade, e a cultura ou testes de amplificação de ácidos nucleicos (NAAT) são os métodos mais sensíveis.

Qual a importância do tratamento do parceiro?

A tricomoníase é estritamente uma Infecção Sexualmente Transmissível (IST). O tratamento do parceiro sexual é obrigatório, mesmo que ele seja assintomático, para evitar a reinfecção da paciente (efeito 'pingue-pongue'). A conduta recomendada pelo Ministério da Saúde é o tratamento simultâneo do casal, geralmente com Metronidazol 2g por via oral em dose única.

Quais as complicações da tricomoníase na gestação?

Em gestantes, a tricomoníase está associada a desfechos obstétricos adversos, como ruptura prematura de membranas, parto pré-termo e baixo peso ao nascer. O tratamento é indicado mesmo em assintomáticas para reduzir a transmissão e prevenir complicações, utilizando preferencialmente o metronidazol, que é considerado seguro após o primeiro trimestre, embora o benefício do rastreio universal seja debatido.

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