UFPA/HUJBB - Hospital Universitário João de Barros Barreto - Belém (PA) — Prova 2023
Isabela Moraes, 25 anos, tem um parceiro fixo que trabalha como caminhoneiro. Procura a UBS com queixa de secreção vaginal amarelo-esverdeada bolhosa. Refere dispareunia e irritação vaginal associadas. A provável etiologia dessa vulvovaginite é
Secreção vaginal amarelo-esverdeada bolhosa + dispareunia + irritação vaginal → Tricomoníase.
A tricomoníase, causada pelo protozoário Trichomonas vaginalis, é uma Infecção Sexualmente Transmissível (IST) que tipicamente se manifesta com secreção vaginal abundante, amarelo-esverdeada e bolhosa, frequentemente acompanhada de prurido, irritação vaginal e dispareunia. O parceiro fixo caminhoneiro sugere maior exposição a ISTs, reforçando a suspeita.
A tricomoníase é uma das Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs) não virais mais comuns, causada pelo protozoário flagelado Trichomonas vaginalis. É fundamental que residentes e estudantes de medicina saibam reconhecer seus sinais e sintomas característicos para um diagnóstico e tratamento adequados, evitando complicações e a disseminação da infecção. A apresentação clínica típica inclui uma tríade de sintomas: secreção vaginal abundante, amarelo-esverdeada e bolhosa, prurido vulvovaginal intenso e dispareunia. A fisiopatologia envolve a aderência do protozoário às células epiteliais da vagina e uretra, causando inflamação. Fatores de risco incluem múltiplos parceiros sexuais e ausência de uso de preservativos. O diagnóstico é relativamente simples e pode ser feito na atenção primária através da microscopia a fresco da secreção vaginal, que permite visualizar os trofozoítos móveis. É importante diferenciar a tricomoníase de outras vulvovaginites, como a candidíase (secreção branca grumosa) e a vaginose bacteriana (secreção branco-acinzentada com odor de peixe). O tratamento da tricomoníase é eficaz com metronidazol, e é imperativo que o(s) parceiro(s) sexual(is) também seja(m) tratado(s) para evitar a reinfecção. A não adesão ao tratamento do parceiro é uma causa comum de falha terapêutica. A tricomoníase, se não tratada, pode aumentar o risco de outras ISTs, incluindo o HIV, e está associada a desfechos adversos na gravidez, como parto prematuro e baixo peso ao nascer. Portanto, a identificação precoce e o manejo correto são cruciais para a saúde individual e pública.
Os sintomas clássicos da tricomoníase incluem secreção vaginal abundante, amarelo-esverdeada e bolhosa, com odor fétido. Prurido vulvovaginal, irritação, dispareunia (dor durante a relação sexual) e disúria (dor ao urinar) também são comuns. Ao exame, pode-se observar colpite em framboesa (pontilhado avermelhado no colo uterino).
O diagnóstico é feito principalmente pela microscopia a fresco da secreção vaginal, que revela a presença de trofozoítos móveis de Trichomonas vaginalis. Testes de amplificação de ácidos nucleicos (NAATs) são mais sensíveis, mas menos disponíveis. O pH vaginal geralmente é > 4,5.
O tratamento de escolha para a tricomoníase é o metronidazol, administrado em dose única oral de 2g ou 500mg duas vezes ao dia por 7 dias. É crucial tratar também o(s) parceiro(s) sexual(is) para prevenir a reinfecção e a disseminação da infecção.
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