SUS-BA - Sistema Único de Saúde da Bahia — Prova 2025
Uma paciente de 32 anos de idade, sexualmente ativa, comparece com queixa de corrimento vaginal amarelo-esverdeado, com odor fétido, e prurido vaginal. Ela relata que o parceiro teve sintomas semelhantes há algumas semanas, mas não procurou atendimento. Ao exame ginecológico, observa-se uma vulvovaginite com colo uterino "em framboesa". Em exame de microscopia a fresco, foram visualizados protozoários móveis.A principal complicação associada ao diagnóstico principal, se ocorrer durante a gestação:
Colo em framboesa + Protozoários móveis = Tricomoníase (Tratar parceiro!).
A tricomoníase é uma IST inflamatória que, na gestação, está associada a desfechos perinatais adversos como prematuridade e ruptura de membranas.
A tricomoníase é causada pelo protozoário flagelado Trichomonas vaginalis e é uma das ISTs não virais mais comuns no mundo. Sua patogênese envolve a adesão ao epitélio vaginal, levando a uma resposta inflamatória exuberante, caracterizada por microabscessos e petéquias no colo uterino e paredes vaginais, o que gera o aspecto de 'colo em framboesa'. Na gestação, a importância do diagnóstico precoce reside não apenas no alívio dos sintomas maternos (prurido, disúria e corrimento), mas na prevenção de complicações obstétricas. A associação com o parto prematuro e a ruptura prematura de membranas é bem documentada em estudos epidemiológicos. O tratamento com nitroimidazólicos é considerado seguro em qualquer fase da gestação, superando os riscos potenciais da infecção não tratada. A abordagem deve sempre incluir o rastreio de outras ISTs, como HIV e sífilis, devido à vulnerabilidade da mucosa inflamada.
A infecção por Trichomonas vaginalis durante a gestação está fortemente associada a resultados perinatais adversos. A principal complicação é o parto prematuro, que ocorre devido à intensa resposta inflamatória local e à liberação de citocinas pró-inflamatórias e prostaglandinas que podem induzir contrações uterinas precoces. Outra complicação frequente é a ruptura prematura de membranas ovulares (RPMO), pois as enzimas produzidas pelo patógeno e a inflamação do hospedeiro fragilizam as membranas amnióticas. Além disso, recém-nascidos de mães infectadas apresentam maior incidência de baixo peso ao nascer. O tratamento é essencial para mitigar esses riscos e prevenir a transmissão vertical durante o parto.
O diagnóstico de tricomoníase baseia-se na apresentação clínica e em exames laboratoriais simples. Clinicamente, observa-se corrimento amarelo-esverdeado, bolhoso e fétido, além do sinal patognomônico de 'colo em framboesa' (colpitis macularis). O pH vaginal geralmente está elevado (> 4,5). O padrão-ouro para o diagnóstico rápido é a microscopia a fresco do conteúdo vaginal, onde se visualizam os protozoários flagelados móveis (trofozoítos). Embora a sensibilidade da microscopia seja moderada (cerca de 60-70%), ela é altamente específica. Em casos de dúvida ou alta suspeição com microscopia negativa, testes de amplificação de ácidos nucleicos (NAAT) ou cultura podem ser realizados.
O tratamento de escolha para a tricomoníase, inclusive em gestantes, é o Metronidazol. A dose recomendada é de 2g por via oral em dose única ou 500mg duas vezes ao dia por 7 dias. É fundamental ressaltar que a tricomoníase é uma Infecção Sexualmente Transmissível (IST), portanto, o tratamento do parceiro sexual é obrigatório para evitar a reinfecção (efeito pingue-pongue), mesmo que ele esteja assintomático. Durante o tratamento, a paciente deve ser orientada a evitar o consumo de álcool devido ao efeito antabuse (dissulfiram-like) do metronidazol e a abster-se de relações sexuais até que ambos os parceiros tenham completado o esquema terapêutico.
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